
JOSÉ DO CARMO FRANCISCO
As rolhas da Catalunha
e os meninos do Circo
Eu vi e não queria acreditar. Saí de Lisboa com destino a Newcastle no dia 25 de Abril à hora de almoço e regressei na madrugada do dia 3 de Maio. Ao todo oito dias de ausência. Com o objectivo de ficar com uma ideia de como estava o País liguei a RTP 1 para ver o Bom dia Portugal. E foi aí que vi o que não estava à espera de ver. Ou seja, duas reportagens das quais eu me lembrava de ter visto antes de sair de Portugal no dia 25 de Abril. E ambas permaneciam como se nada tivesse acontecido.
As rolhas portuguesas que são muito apreciadas pelos produtores de vinho na Catalunha e os meninos do Circo que já podem ter uma directora de turma através de Internet. Fiquei chocado por ver como é possível a indigência chegar a este ponto. Mais de oito dias depois lá estavam as rolhas e os meninos. Havendo tantos assuntos de interesse é espantoso como, mais de uma semana depois, os mesmos trabalhos televisivos aparecem no Bom dia Portugal como se fossem feitios naquele dia. E nem sequer estou contra os jornalistas porque eu próprio também sou jornalista. Estou é contra o sistema cultural que permite estas coisas insólitas. Mais que insólito: tudo isto é imoral, absurdo e anti-deontológico. Dito de outra maneira: haver enlatados de notícias é um crime contra a liberdade que todos temos de exigir uma informação limpa. Como há enlatados musicais ou enlatados de telenovelas. Nós que pagamos os nossos impostos não podemos estar à mercê de gente como esta. Gente que em vez de puxar pela imaginação se limita a ir aos arquivos e mandar por no ar notícias velhas de mais de oito dias. Sem qualquer respeito pelos espectadores. Sem respeito por nada. Sem respeito por ninguém.

