O CÓDIGO BROWN

Por causa do filme, a polémica em torno do Código Da Vinci, de Dan Brown, reacendeu-se.
Grave no livro/filme nunca será a crítica à Igreja Católica e à Opus Dei, saudável no primeiro caso e necessária no segundo. Muito grave é a desonestidade intelectual de quem faz passar, como verdades, falsidades comprovadas. Passam com um estatuto imerecido porque vivemos numa época dominada pela ignorância arrogante, que coloca ao mesmo nível paradigmas, suposições, documentos, hipóteses, delírios, invenções, fraudes e factos provados.
Que fazer? Proclamar a verdade, mesmo que ela incomode ou seja rejeitada.

Marvão, 20 de Maio de 2006
RECEITA

Deseja dar cabo de um belo pedaço da sua terra? Aqui fica a receita:
Pegue num edil míope, junte-lhe um engenheiro ou um arquitecto igualmente míope, inconsciente ou incompetente, misture-lhes um novo-riquismo pelintra - e o resultado não será coisa bonita de se ver.
Assim se vai esturrando, em muitos locais do nosso país, o magro orçamento nacional. Assim vamos enchendo os bolsos de alguns empreiteiros. Assim vamos consentindo no logro proposto por alguns políticos sem escrúpulos, que vão enganando os tolos, os humildes ou os amedrontados com papas deste jaez.
Nicolau Saião, sem título. Colecção particular.

JOGOS DE LETRAS?

O poeta José do Carmo Francisco escreve há muito poemas "desportivos". Já nos anos oitenta publicou um livro intitulado Jogos Olímpicos e uma antologia comentada sobre a presença do desporto na poesia portuguesa (a única até hoje lançada em Portugal - a necessitar de urgente reedição). Depois disso, recentemente, apareceram nas livrarias dois livros seus dedicados à mesma temática, entre eles um memorável Os Guarda-Redes Morrem ao Domingo, na Padrões Culturais. Não podemos esquecer ainda a actividade jornalística e crítica que tem desenvolvido há quase vinte anos, quase sempre em torno das ligações entre a actividade desportiva e a literatura, em jornais como A Bola, Gazeta dos Desportos e Sporting.
Francisco José Viegas conhece bem José do Carmo Francisco e toda a sua obra. Basta lembrarmos que convidou o autor de Transporte Sentimental para colaborar na revista Ler, do Círculo de Leitores, e no suplemento DNA, do Diário de Notícias. Se hoje José do Carmo Francisco não escreve nesses periódicos, isso só acontece porque a sua figura estava ligada ao escritor transmontano. Saído Viegas, Carmo Francisco teve que sair também.
E, no entanto, o actual director da Casa Fernando Pessoa parece não conhecer José do Carmo Francisco e o facto de ser o maior conhecedor em Portugal das ligações entre a literatura e o desporto. Amnésia? Como se explica então que, promovendo uns debates na Coelho da Rocha sobre a Literatura e o Desporto, tenha marginalizado o poeta de Universário? Jogos de Letras? Será que, para ele, ser conhecido significa mais do que ser importante? Viegas saberá responder.