JOVEM E PROMISSOR

Pedro Garção é um jovem cientista português cuja actividade merece a nossa atenção. Apenas com 25 anos de idade (nasceu em Portalegre no dia 24 de Abril de 1981), o seu trabalho no campo da Biologia Celular começa já a ser reconhecido internacionalmente.
Licenciado em Biologia pela Universidade de Coimbra com alta classificação, prepara a sua tese de doutoramento, cujo tema será a “desregulação da neurotransmissão na doença de Alzheimer”. O trabalho será feito no Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra (CNC), com grau conferido pela Faculdade de Medicina.
Provando o reconhecimento que o seu trabalho já merece, publicou recentemente nos Estados Unidos da América um artigo intitulado "A comparative study of microglia activation induced by amyloid-beta and prion peptides. The role in neurodegeneration", vindo a lume no Journal of Neuroscience Research (84: 182-193), assinado por si, por Catarina R. Oliveira e por Paula Agostinho, sua orientadora de doutoramento.

Retábulo (1)


a pedra


há linhas de fogo
atravessando a tela.
serão somente brilho
ou luz que secciona
a noite e as formas –
mas a tinta arde,
mantendo nos olhos
a essência da pedra
que a névoa protege
do vento e da cegueira.

[Claude Monet]

FESTIVAL DE POESIA

Provando que os professores ainda fazem alguma coisa pelos seus alunos e que não são necessários "planos" bem pagos (a quem os concebe) para promover a leitura e o amor à literatura, realizou-se há poucos dias o quinto Festival de Poesia da Escola Básica 2, 3 de Santana (Sesimbra), organizado pelo Departamento de Línguas, com especial trabalho das professoras Teresa Lopes e Conceição Coimbra e com a colaboração de vários docentes da instituição.
Cativou-me participar no júri do concurso de leitura de poemas. Sem outros interesses pelo meio, os alunos provaram - com especial sensibilidade - que ainda podemos ter esperança no futuro, apesar do lixo televisivo e doutra ordem que nos vai atulhando.


NICOLAU SAIÃO
um poema com endereço

Entroncamento

De Portalegre? Sei onde fica...
Fui lá um dia co'a tia Anica!
Tinha lá primos
e uma cunhada.
Conheço bem.
Vale a jornada!

Tem coisas belas
simples, singelas
de nobre terra:
a volta à Serra,
a fonte nova
e uma grande árvore
cheia de brio
quer esteja quente
ou faça frio
lá no Rossio.

Tinha a Corredoura
tem o Bonfim
( e alguns fulanos
assim-assim...)

E tem o Corro
e a grande Sé
que é imponente
p'ra toda a gente
quer tenha ou não
(queira-o ou não)
a sua fé.
E tem comércio
bem aviado
mais a indústria
de fiação
com bom mercado
p'ra dar o pão
afiambrado!...

Vale bem a pena
passar-se lá:
tem gente grada
bondosa, amena
(calva ou barbada)
como não há!

***

Olhe o combóio que vem chegando!
Então adeus. Muito prazer
em conversar. Céus, que faz vento
neste lugar!

Sim. Portalegre... Sei onde fica!
Fui lá um dia... Co'a Tia Anica.

Tinha a Corredoura
tem o Bonfim
(e alguns malandros
assim-assim...).


in “Residência fixa
JOSÉ DO CARMO FRANCISCO

Ser do Sporting
é uma desgraça;
não ser do Benfica
é uma desgraça maior

A propósito do meu texto «Há vinte anos foi Manuel Fernandes o excluído» Cagica Rapaz tentou argumentar contra mas «espalhou-se ao comprido». Quando escreveu «Arsénio ganhou a Bola de Prata e ninguém o chamou à selecção» estava a esquecer que Arsénio tem duas internacionalizações ambas em jogos contra a Espanha. Tentou destruir uma verdade com um argumento falso. Fica a rectificação.
Mas o sentido do meu texto vai muito para além do assunto «Quaresma 2006-Manuel Fernandes 1986». O meu texto explica e recorda como em 1966 e em 1986 as pessoas do Sporting foram prejudicadas por pessoas do Benfica tal como anos depois Pedro Barbosa foi sujeito a uma humilhação em pleno Estádio José Alvalade quando jogou apenas 40 segundos num Portugal-Eslováquia. O seleccionador era Humberto Coelho. Quando Rui Costa (Benfica) foi expulso em 2000 a nossa imprensa crucificou o árbitro francês mas quando João Pinto (Sporting) foi expulso em 2002 a imprensa já não crucificou o árbitro sul-americano mas sim o jogador. Agora Cristiano Ronaldo, formado no Sporting desde os 11 anos, foi censurado por responder aos insultos do povo benfiquista no jogo do Manchester United mas o público não foi questionado pelos insultos.
E até nas memórias nós estamos sempre a perder. Hoje (12 de Junho) Miguel Sousa Tavares em A BOLA afirma com desfaçatez, com maldade e com ignorância que «Angola nunca foi berço de jogadores que tenham passado à história». Tentou ignorar o maior de todos (Fernando Peyroteo) e alguns dos maiores: José Águas, Jacinto João, Espírito Santo, Dinis, Zé Maria e Jordão. Comentar futebol não é para quem quer; é para quem sabe.