E SE TIVESSE SIDO CUNHAL O VENCEDOR?E se tivesse sido Cunhal o vencedor do concurso? Teríamos, decerto, uma boa parte da esquerda rejubilante com a elevação aos altares televisivos desse seu "
santo" (assim o apresentou Odete Santos), "
coerente" até ao fim na defesa e glorificação dos regimes totalitários envolvidos pela ideologia marxista-leninista e/ou estalinista, regimes que, por esse mundo fora, deram cabo e continuam a destruir a dignidade, a liberdade e a vida de tantos cidadãos.
Se a "
medalha de prata" ganha por Álvaro Cunhal demonstra nalguma medida também um protesto contra a governação dos últimos trinta anos, a sua votação terá sido fruto, em grande parte, de uma mobilização telefónica militante dos comunistas ou simpatizantes do PCP (uns por convicção, outros por boa-fé demasiado distraída). Ao contrário de Salazar, os defensores do representante máximo dos ideais soviéticos no nosso país estão muito mais organizados, enquadrados na sua maioria por um partido que não esconde totalmente os seus propósitos mais íntimos.
Faces da mesma moeda, no ódio contra a democracia representativa, há no entanto diferenças entre Salazar e Cunhal: o primeiro foi ditador, o segundo gostaria de tê-lo sido. Nem vale a pena contra-argumentar-se com a sua luta anti-fascista. Vai uma grande diferença entre o digno combate contra o Estado Novo em defesa da Liberdade e da Democracia e um outro combate contra esse mesmo regime político que visava, ao fim e ao cabo, apenas a instauração de uma "
ditadura do proletariado".