
A RECUSA DE GAMBETTA
Gambetta (então primeiro-ministro francês) justificou assim a Renoir a sua recusa de um projecto de mural para o novo edifício da Câmara Municipal de Paris:
"Mais vale ver a República viver com a má pintura do que vê-la morrer com uma grande arte..."
O político afirmava amar a pintura de Pierre-Auguste, ou pelo menos reconhecia a sua eminência. Os seus (contra)valores eram no entanto outros. Talvez por isso caiu da cadeira pouco tempo depois. Ao contrário do que pensava, a verdadeira Arte vai permanecendo (mesmo quando ocultada), enquanto os regimes e os governos cedem facilmente à erosão do tempo.
E os Gambetta de hoje? Na sua maioria, nem reconhecem nem amam a Arte. Mesmo quando parecem fazê-lo, continuam a preferir pomposos pilritos (que fazem vista sem incomodar ninguém), ignorando o trabalho destes no esboroamento dos políticos e dos regimes que os promovem.
(Na imagem: "Le Moulin de La Galette", de Renoir.)


