Não sei o que trará o futuro, mas para qualquer cidadão que ame a Democracia, será sempre uma boa notícia a retirada de cena do ditador Fidel Castro.

IMAGENS DE TIMOR

No momento em que, mais uma vez, se revela quão difícil é este processo de independência de Timor, venho sugerir uma viagem até àquelas paragens, pelo olhar do fotógrafo Humberto Ramos no blogue http://www.vinte9.blogspot.com/. Vale a pena. Deste autor podem ainda ser consultadas outras (belas) imagens em www.flickr.com/photos/humberto-ramos/.
(Na imagem: "Cemitério junto ao mar em Liquiçá", 2000.)
Mansões abandonadas
de José do Carmo Francisco
lançado no Brasil

O livro Mansões abandonadas, uma recolha de poemas do poeta José do Carmo Francisco, foi lançado no Brasil pela editora paulista Escrituras, na sua colecção Ponte Velha, inteiramente dedicada à literatura portuguesa contemporânea.
Nesta mesma colecção a editora brasileira já publicou autores como António Ramos Rosa, Armando Silva Carvalho, Pedro Tamen, Saúl Dias, Fernando Guimarães, Nuno Júdice, Carlos Garcia de Castro, Nicolau Saião e Casimiro de Brito.
Mansões abandonadas reúne poemas de seis livros de Carmo Francisco: Universário, Transporte sentimental, 1983, Um resumo, Mesa dos extravagantes , As emboscadas do esquecimento e De súbito.
No prefácio à obra, Nicolau Saião destaca como marcas dominantes da escrita poética de Carmo Francisco a «nostalgia, amor ao pequeno facto que, todavia, tem a força de um universo próprio, um humor magoado que se transfigura e que nos dá, por extenso ainda que sobriamente, uma grande e bela indignação perante as injustiças da sociedade, fidelidade à infância e aos seres que a preencheram, ligação ao sinal próprio do homem, patente em retratos de figuras tutelares, e finalmente, a discrição e a serena mágoa que são frequentemente o prólogo da mais justa alegria não conspurcada por sistemas de valores discriminatórios".
Uma entrevista concedida pelo autor a Ruy Ventura e por este incluída no livro José do Carmo Francisco, uma aproximação, completa a edição.
O autor nasceu em Caldas da Rainha em 1951, fez jornalismo e crítica literária em jornais erevistas, foi bancário e é actualmente secretário da Associação Portuguesa de Críticos Literários. A sua estreia literária data de 1981, com Iniciais, vencedor, no ano anterior, do Prémio de Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores.

(RMM - © 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. - adaptado.)
José do Carmo Francisco
(in Aspirina B)

O regicídio visto por Pascoaes

Descobri no Alfarrabista Bocage na Calçada do Combro a cópia de uma carta de Pascoaes a Unamuno de 2-10-1908. Depois de saudar o «querido amigo», Pascoaes afirma:
«A tragédia de Lisboa foi o desenlace duma luta travada entre o gato e o rato. E, coisa curiosa, o rato matou o gato! João Franco subiu ao poder para eliminar abusos, roubos, sinecuras. O advento do Franquismo representou um tardio arrependimento do Rei Carlos. Calcule a guerra feroz que lhe moveram os partidos (progressista e regenerador) que se viram despojados do Tesouro Público! Guerra de difamação contra o Rei e de ódio contra o Franco. Este viu-se obrigado a recorrer a meios violentos e pouco simpáticos nos tempos de hoje para resistir à onda que o tentava derrubar. Estas medidas violentas exasperaram dois pobres e ingénuos sonhadores (Costa e Buíça) que, num ímpeto que eles julgaram libertador, deitaram a terra D. Carlos e o Príncipe Luís, um adorável rapaz de 20 anos! Resultado: o Franco foi para o estrangeiro por onde anda errante como um fantasma; o Buíça foi para a sepultura, fulminado como um Titã que quis roubar o fogo do céu! No dia 1 de Fevereiro de 1908 havia dois homens em Portugal, João Franco e Buíça; inimigos irredutíveis que se destruíram um ao outro, em vez de salvarem a sua Pátria! Neste momento Portugal é um mistério. É impossível a gente calcular o que virá a ser dele! É uma Pátria que a noite envolve, entregue aos morcegos e às aves agoireiras. Aqui, não se vê um palmo adiante do nariz; é tudo confusão e sombra. Um abraço do seu grande admirador e amigo certo – Teixeira de Pascoaes
Um documento curioso, descoberto e lido cem anos depois, num alfarrabista da Calçada do Combro.

BRIAN STRANG


número oito

começar de novo de outro ponto sem qualquer controlo
sobre as forças que te rodeiam

rostos carregados encostam à tua cápsula uma espécie de lágrima
no tecido da tua existência diária encontra um lugar

para ti natural acolhe os factos tal como são vê que por detrás
dos rostos estão pessoas esfoladas até aos ossos como tu

enquanto nos aproximarmos do último palco procura ligar-te
com os outros nos olhos esperando encontrar alguém como

aquele tabuado branco ao sol e uma árvore oscilante
cedros ou ponderosas tornados monumentos ou

tectos ladrilhados o brilho dos carris do eléctrico trabalha
sozinho uma ficção fica mas mente nos tijolos suspira

mencionando apenas as oportunidades arrancadas e não te deixarás
subir numa bolha de ganância ou cair numa exausta queda

de poentes ou afogar no fundo do oceano coberto
por um enleio de obsessão e as censuras ficam tão libertas

e perguntam se a tua sorte será perdoada comendo ou recusando comer
dando crédito às figuras transparentes que atravessam

a luz duma vela no teu espaço vital sentindo o medo
a atravessar pela porta aberta

tatuando vitalidade na tua pele não conseguirás
mover de lado os enleados e trepadores ossos perdidos

(In Incretion, Spuyten Duyvil, New York, 2003; tradução de RV. Brian Strang, autor também da ilustração, coordena o blogue Sorry Nature.)