
Os sinais e os diagnósticos multiplicam-se, mas a mudança de caminho tarda. Tememos muitos de nós: - quando um dia vier, não será demasiado tarde? Depois de quebrada, a confiança só muito lentamente se recompõe. Entre as pessoas, como entre os cidadãos e o seu sistema político-social. Para ler e reflectir. E agir, se possível.
Um poema de Vítor Matos e Sá
(apresentado por José do Carmo Francisco)
E porque existe uma guerra movida pela ministra da Educação aos professores portugueses o nome do poeta Vítor Matos e Sá veio-me à baila. Nada melhor e mais a-propósito que recordar um dos seus poemas («Para os meus alunos») que integra O Trabalho – antologia poética e que devia estar em todas as salas de aula deste País (atrevo-me eu a pensar).
Após tantos anos a ver-vos chegar
e a deixar-vos partir
alheios ou inquietos quanto
ao parentesco das ideias e dos actos
o direito às perguntas e a fonte
das perguntas,
gostaria de chamar-vos, um a um,
pelo vosso nome,
saber se estive, perto ou longe,
em vossas dúvidas. É sempre
uma questão mútua de ser.
Uma presença e não
um resultado.
Mas nem sempre soubestes que crescíamos
entre ódios, fanatismos, cobardias,
com olhos vendados pelo conforto
e o medo, com ter-se ou não ter-se
vantagens, aplausos, soluções privadas.
E como foi possível ter razão
sem ter as circunstâncias.
Agora os vosso rostos passam, firmes,
entre visão e facto, entre o amor
e a chegada de todos ao amor.
Mas também morro mais depressa agora.
Por isso gostaria de chamar-vos, um a um,
pelo vosso nome. E agradecer-vos a herança
da alegria. E dizer uma vez mais que é sempre
uma questão mútua de ser. Uma presença
e não um resultado.
E os vosso rostos todos
hão-de ajudar-me a envelhecer
sem angústia ou vergonha
e a estar convosco na verdade
e a buscá-la juntos e a cumpri-la.
(apresentado por José do Carmo Francisco)
E porque existe uma guerra movida pela ministra da Educação aos professores portugueses o nome do poeta Vítor Matos e Sá veio-me à baila. Nada melhor e mais a-propósito que recordar um dos seus poemas («Para os meus alunos») que integra O Trabalho – antologia poética e que devia estar em todas as salas de aula deste País (atrevo-me eu a pensar).
Após tantos anos a ver-vos chegar
e a deixar-vos partir
alheios ou inquietos quanto
ao parentesco das ideias e dos actos
o direito às perguntas e a fonte
das perguntas,
gostaria de chamar-vos, um a um,
pelo vosso nome,
saber se estive, perto ou longe,
em vossas dúvidas. É sempre
uma questão mútua de ser.
Uma presença e não
um resultado.
Mas nem sempre soubestes que crescíamos
entre ódios, fanatismos, cobardias,
com olhos vendados pelo conforto
e o medo, com ter-se ou não ter-se
vantagens, aplausos, soluções privadas.
E como foi possível ter razão
sem ter as circunstâncias.
Agora os vosso rostos passam, firmes,
entre visão e facto, entre o amor
e a chegada de todos ao amor.
Mas também morro mais depressa agora.
Por isso gostaria de chamar-vos, um a um,
pelo vosso nome. E agradecer-vos a herança
da alegria. E dizer uma vez mais que é sempre
uma questão mútua de ser. Uma presença
e não um resultado.
E os vosso rostos todos
hão-de ajudar-me a envelhecer
sem angústia ou vergonha
e a estar convosco na verdade
e a buscá-la juntos e a cumpri-la.

IMAGENS DE TIMOR
No momento em que, mais uma vez, se revela quão difícil é este processo de independência de Timor, venho sugerir uma viagem até àquelas paragens, pelo olhar do fotógrafo Humberto Ramos no blogue http://www.vinte9.blogspot.com/. Vale a pena. Deste autor podem ainda ser consultadas outras (belas) imagens em www.flickr.com/photos/humberto-ramos/.
(Na imagem: "Cemitério junto ao mar em Liquiçá", 2000.)
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