SIGAM O CHEIRO DA MASSINHA

De há uns anos a esta parte, sempre que me apresentam certas "inovações" procuro submetê-las a uma avaliação simples, perguntando-lhes quem vai ganhar com elas e que proventos irão produzir no bolso de certos cidadãos. Seguir o cheiro da massinha é, parece-me, uma estratégia avisada para destruirmos algumas ingenuidades inerentes à condição humana.
Assim me aconteceu com a "miraculosa" avaliação do desempenho docente. Embora concorde com a necessidade de distinguir o desempenho dos professores com base em critérios justos e objectivos, torci sempre o nariz ao sistema instituído pela doutora Maria de Lurdes Rodrigues e seus companheiros, pois era/é evidente que o mesmo não pretendia e não pretende promover a qualidade do ensino ou a valorização do mérito, mas apenas poupar dinheiro de uma forma inqualificável, para depois o canalizar até domínios que socialmente nunca o deveriam receber.
A esta forma de ganho, começámos agora a tomar conhecimento de outras mais subreptícias. Uma delas foi divulgada por José Matias Alves, membro do Conselho da Avaliação Docente nomeado pela ministra. Será bom que a conheçamos. Há sempre aves que gostam de beneficiar com a carne dos outros seres vivos... mastigando-os.
Agora, mais do que nunca, é preciso estarmos de olhos abertos!


O Bosque Cintilante
Sobre as imagens
são os dois novos livros de Amadeu Baptista
editados pela Cosmorama.
Não percam!





Aguarelas como estas e muito mais
poderá ser encontrado
Nuno Matos Duarte.
Uma visita de que tiraremos sempre proveito.
José do Carmo Francisco

Balada dos quatro dias

Quatro dias de ausência
São semanas de saudade
A dissipar com urgência
No meu regresso à cidade
Vejo a manhã de bruma
Cheira ao iodo do mar
São páginas de espuma
À mesa deste meu lugar
Onde escrevo uma balada
Como se fosse a canção
O papel não dá por nada
Mas há motivo e razão
Duma saudade nascida
Na distância tão litoral
Quatro dias de uma vida
Concentrados por igual
Numa palavra saudosa
Levantada numa mesa
Onde o limão na gasosa
Faz uma ácida leveza

Um eléctrico reformado
É um bar numa barreira
Onde o teu nome trocado
Está escrito na bandeira
Onde o som repentino
Duma paragem tão perto
Faz sobressalto ao destino
De quem respira deserto
Dum calor mais abafado
A ir por entre as casas
Como a música dum fado
A voar com as suas asas
Até à luz desta maré
Sete vezes repetida
E ao lume da chaminé
A cozer o pão da vida
Até à alma da gente
Que se perfila a cantar
Uma cantiga diferente
Na mesa ao pé do mar