Fui ontem ao largo de São Domingos prestar a minha homenagem aos mortos de 1506. Todos deveríamos fazê-lo. Para que o fanatismo não vença a partida, aqui ou em qualquer parte.
Nicolau Saião

COGUMELOS LUSITANOS

Esperar-se que este governo demita o chefe da ASAE é o mesmo que esperar que o betão dê cogumelos. Ou que os pinheiros dêem tangerinas.
Portugal, infelizmente, vive já numa fase cripto-autoritária, que só ainda não passou a autoritária expressa porque a Europa ainda por aqui anda.
A todos os momentos, ora aqui ora ali, se sente que o pudor já abandonou o nosso executivo.
Vive-se numa verdadeira navegação à vista: discreta censura, discretos ataques à liberdade de expressão, utilização do sistema judicial e do medo que este, por ser remanchado e desqualificado provoca, enfim: Portugal no seu melhor.
Este senhor da ASAE, num país a sério, não só seria demitido como sujeito a inquérito formal interno e, muito provávelmente, externo através dos mecanismos de Direito em uso numa sociedade civilizada.
Em Portugal é pura utopia esperar tal coisa.
Eis um dos motivos porque já sinto tristeza por ser português. Vergonha sinto há muito mais tempo.
SIGAM O CHEIRO DA MASSINHA

De há uns anos a esta parte, sempre que me apresentam certas "inovações" procuro submetê-las a uma avaliação simples, perguntando-lhes quem vai ganhar com elas e que proventos irão produzir no bolso de certos cidadãos. Seguir o cheiro da massinha é, parece-me, uma estratégia avisada para destruirmos algumas ingenuidades inerentes à condição humana.
Assim me aconteceu com a "miraculosa" avaliação do desempenho docente. Embora concorde com a necessidade de distinguir o desempenho dos professores com base em critérios justos e objectivos, torci sempre o nariz ao sistema instituído pela doutora Maria de Lurdes Rodrigues e seus companheiros, pois era/é evidente que o mesmo não pretendia e não pretende promover a qualidade do ensino ou a valorização do mérito, mas apenas poupar dinheiro de uma forma inqualificável, para depois o canalizar até domínios que socialmente nunca o deveriam receber.
A esta forma de ganho, começámos agora a tomar conhecimento de outras mais subreptícias. Uma delas foi divulgada por José Matias Alves, membro do Conselho da Avaliação Docente nomeado pela ministra. Será bom que a conheçamos. Há sempre aves que gostam de beneficiar com a carne dos outros seres vivos... mastigando-os.
Agora, mais do que nunca, é preciso estarmos de olhos abertos!