
EDSON CRUZ
palimpsesto
toda poesia já
escrita
não se equipara
a toda poesia
inscrita
a poesia jaz
esmero
retocar a canção
chegar até
à imperfeição
de mero José
a impossível João
abulia
quando os homens
se abatem
todo o universo
— misteriosa simbiose —
se esbate
melancolia é soberana
sobre as lápides
samsara
pois tudo se transforma
mesmo o nada que não quer
ser algo vira alguma coisa
que logo vem a ser outra
do feitio que ela vida
quando se desativa
e a chama passa a se
chamar morte naquele des
equilíbrio tênue de quem
precisa e quer renascer
EDSON CRUZ (Brasil, 1959). Editor do sítio web de literatura Cronópios e da revista literária Mnemozine. Entrevistador do programa BITNIKS voltado para literatura na internet. Escritor, editor, revisor e preparador de textos. Revisor pela Ateliê Editorial, Editora Unicamp, Sapienza Editora e Novo Século. Curador do evento Cartografia Web Literária, em parceria com o SESC-Consolação (2008).
palimpsesto
toda poesia já
escrita
não se equipara
a toda poesia
inscrita
a poesia jaz
esmero
retocar a canção
chegar até
à imperfeição
de mero José
a impossível João
abulia
quando os homens
se abatem
todo o universo
— misteriosa simbiose —
se esbate
melancolia é soberana
sobre as lápides
samsara
pois tudo se transforma
mesmo o nada que não quer
ser algo vira alguma coisa
que logo vem a ser outra
do feitio que ela vida
quando se desativa
e a chama passa a se
chamar morte naquele des
equilíbrio tênue de quem
precisa e quer renascer
EDSON CRUZ (Brasil, 1959). Editor do sítio web de literatura Cronópios e da revista literária Mnemozine. Entrevistador do programa BITNIKS voltado para literatura na internet. Escritor, editor, revisor e preparador de textos. Revisor pela Ateliê Editorial, Editora Unicamp, Sapienza Editora e Novo Século. Curador do evento Cartografia Web Literária, em parceria com o SESC-Consolação (2008).
José do Carmo Francisco
O MISTÉRIO DE FORTALEZA
Seis flores secas, serenas
Envolvidas em resina
São duas jóias pequenas
No rosto de Carolina
Mistério de Fortaleza
Entre livros e escritores
Leva toda a tua beleza
Vás tu para onde fores
Nesta serena suspensão
Do sorriso frente ao mar
Vejo a porta e a solução
Do mistério a desvendar
Somos o mundo suspenso
Nos sonhos não editados
O que sinto e o que penso
Não cabe nestes quadrados
Nestas quadras de balada
Neste ritmo de romance
Uma vida mais revelada
Não está ao meu alcance
A jóia que está à vista
Nas orelhas em dois lados
É motivo a que insista
Por elementos e dados
Mistério de Fortaleza
Que fica por decifrar
Guarda uma incerteza
No tempo do teu olhar
Que o poema não encerra
Nem há canção que defina
Fica cheiro de mar e terra
Luz do rosto de Carolina
O MISTÉRIO DE FORTALEZA
Seis flores secas, serenas
Envolvidas em resina
São duas jóias pequenas
No rosto de Carolina
Mistério de Fortaleza
Entre livros e escritores
Leva toda a tua beleza
Vás tu para onde fores
Nesta serena suspensão
Do sorriso frente ao mar
Vejo a porta e a solução
Do mistério a desvendar
Somos o mundo suspenso
Nos sonhos não editados
O que sinto e o que penso
Não cabe nestes quadrados
Nestas quadras de balada
Neste ritmo de romance
Uma vida mais revelada
Não está ao meu alcance
A jóia que está à vista
Nas orelhas em dois lados
É motivo a que insista
Por elementos e dados
Mistério de Fortaleza
Que fica por decifrar
Guarda uma incerteza
No tempo do teu olhar
Que o poema não encerra
Nem há canção que defina
Fica cheiro de mar e terra
Luz do rosto de Carolina

A HERANÇA DE DOM CARLOS
de António Cândido Franco
Será apresentado no próximo dia 4 de Dezembro, pelas 19 horas, o novo livro de António Cândido Franco, intitulado A Herança de D. Carlos, editado pela Ésquilo. O lançamento decorrerá no Espaço D. Dinis, sito na Avenida António Augusto de Aguiar, nº 17, 4º Esqº, em Lisboa. Sobre a obra falará o historiador Miguel Sanches de Baêna.
António Cândido Franco afirma sobre este seu romance histórico:
«Carlos I é a tragédia de toda uma família, uma tragédia que vem do fim doséculo XVIII e se prolonga até aos nossos arrabaldes. A história do nosso último rei a sério - já que Manuel II não passou duma criança que fez deconta que reinou durante dois anos - foi afinal um caso que demorou bem maisde cem anos a germinar e a desenvolver. Que desmedido ventre o trouxe aomundo! Em vez de nove meses, noventa anos de gestação. É caso muito sério. E é por ser tão horrível e tão imensa, que uma tal tragédia nos parece tão estupenda. Sem conhecermos os avós, nunca perceberemos o neto. Carlos em si é um enigma, uma bola opaca e pesada de carne ou de sebo, avessa ao mais penetrante olhar, mas visto à luz dos hábitos e das histórias dos seus antepassados faz-se claro, fácil, transparente. Este ser que viveu quarenta e quatro anos pode ter sido reservado como um tímido, fechado como um oráculo e desconhecido como um estrangeiro mas o seu passado faz dele um sertão previsível e tão esperado como um hábito repetido; na sua figura e na sua história vieram afinal cruzar-se com a máxima força e crueza todas as virtudes e todas as taras que encontramos dispersas e desencontradas nos seus antepassados mais próximos.»
Victor Oliveira Mateus
a Cristovam Pavia
Pela janela do meu quarto ouço um ruído que se mantém:
longínquo, indistinto na sua distância, nessa permanência
de rumor que me sufoca. Que me sufoca e atordoa os pássaros
na ramaria em frente. Pela janela as vozes de um lugar!
Vozes que curiosamente vejo e que magoam este desacerto
que sempre volta entre o diferente que vislumbro e esta cidade
empedernida: fanqueiros com os seus manequins de papelão
carcomidos pelo tempo e pelo desuso; miúdos com seus carros
de esferas a ziguezaguearem na humidade do asfalto; um cão
vadio ( ou de liberdade cioso?) vasculhando os restos com que
os imprestáveis excessos mascaram sua vaidade. Pela janela
do meu quarto bebo a luz que a cidade não tem, mas que para ela
sonho em momentos de insurrecto furor ou de esparsa melancolia;
momentos onde ainda teço os poucos poemas que de mim – talvez –
se firmem, para júbilo dos que suportam, mas não desistem.
a Cristovam Pavia
Pela janela do meu quarto ouço um ruído que se mantém:
longínquo, indistinto na sua distância, nessa permanência
de rumor que me sufoca. Que me sufoca e atordoa os pássaros
na ramaria em frente. Pela janela as vozes de um lugar!
Vozes que curiosamente vejo e que magoam este desacerto
que sempre volta entre o diferente que vislumbro e esta cidade
empedernida: fanqueiros com os seus manequins de papelão
carcomidos pelo tempo e pelo desuso; miúdos com seus carros
de esferas a ziguezaguearem na humidade do asfalto; um cão
vadio ( ou de liberdade cioso?) vasculhando os restos com que
os imprestáveis excessos mascaram sua vaidade. Pela janela
do meu quarto bebo a luz que a cidade não tem, mas que para ela
sonho em momentos de insurrecto furor ou de esparsa melancolia;
momentos onde ainda teço os poucos poemas que de mim – talvez –
se firmem, para júbilo dos que suportam, mas não desistem.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
