ALGUNS LIVROS DE 2008
Sempre me pareceu ridículo andarmos a fazer listas dos "melhores" livros de um ano que acaba de findar. Sendo impossível lermos todos os milhares de volumes que se editam, não me parece justo destacarmos alguns, pois corremos o risco de sermos injustos para com todos aqueles que - sendo excelentes - não tiveram a possibilidade de chegar às nossas mãos, aos nossos olhos e ao nosso pensamento. Assim sendo, apresento a quem me lê apenas alguns títulos que marcaram especialmente este leitor no último semestre de 2008 - na esperança de que o rol abra o apetite de outros devoradores igualmente insaciáveis:
ADÉLIA PRADO - Solte os cachorros (1979)
AMADEU BAPTISTA - Poemas de Caravaggio (2008)
C. RONALD - Um lugar para os dias (2008)
CLAUDE ROY - O Homem em Questão (1960)
F. NIETZSCHE - Poemas (trad. Paulo Quintela)
FIALHO DE ALMEIDA - À Esquina (1903)
FIALHO DE ALMEIDA - Saibam quantos... (1910)
GEORGE ORWELL - Por que escrevo
GOTTFRIED BENN - Problemas de la lirica (1951)
HILDE DOMIN - Estende a mão ao milagre
HÖLDERLIN - Poemas (trad. Paulo Quintela)
J. W. GOETHE - Poemas (trad. Paulo Quintela)
JOSÉ RÉGIO - Jacob e o Anjo (1940)
LOUIS ARAGON - Les Chambres (1969)
MARIA GABRIELA LLANSOL - Inquérito às Quatro Confidências (1996)
MARIA GABRIELA LLANSOL - Um falcão no punho
MARIE NOËL - Madrugada Secreta
NICOLAU SAIÃO - O Armário de Midas (2008)
OSCAR WILDE - O Retrato do sr. W. H. (1891)
PAUL AUSTER - Trilogia de Nova Iorque (1985)
PHILIP ROTH - A Mancha Humana (2000)
RAMÓN GÓMEZ DE LA SERNA - Goya (1950)
ROBERT MUSIL - L' Homme sans Qualités (trad. de Philippe Jaccottet)
STÉPHANE MALLARMÉ - Pour un tombeau d' Anatole
SYLVIA PLATH - Pela água (trad. M. Lourdes Guimarães)
UMBERTO ECO & outros - La Nueva Edad Media (1973)

Poemas no Brasil
Foram recentemente publicados em páginas brasileiras alguns poemas do coordenador deste blogue. No sítio de Antônio Miranda, director da Biblioteca Nacional de Brasília e escritor, saíram alguns originais pertencentes a Vale dos Homens, livro ainda inédito. Na Cronópios, por sua vez, podem ser lidos alguns textos que fazem parte do futuro Parábolas e Alegorias.
Agradeço desde já a vossa leitura!
Foram recentemente publicados em páginas brasileiras alguns poemas do coordenador deste blogue. No sítio de Antônio Miranda, director da Biblioteca Nacional de Brasília e escritor, saíram alguns originais pertencentes a Vale dos Homens, livro ainda inédito. Na Cronópios, por sua vez, podem ser lidos alguns textos que fazem parte do futuro Parábolas e Alegorias.
Agradeço desde já a vossa leitura!
.jpg)
SERIA BOM TROCARMOS
ALGUMAS IDEIAS SOBRE O ASSUNTO
As televisões vêm apresentando uma "onda de indignação" pelo que está a suceder na Faixa de Gaza. Não sei até que ponto o que a comunicação social apresenta corresponde à verdade verificável, pois uma das características da "nova Idade Média" em que vivemos é a manipulação política dos factos nos órgãos de comunicação, através de imagens falsificadas e de discursos verbais modelados pela hipocrisia. Assim sendo, gostaria que alguém me explicasse, com os devidos fundamentos sociológicos, históricos e científicos:
1. Como podem os habitantes de um país defender-se de atentados constantes à sua dignidade física e psicológica, se esses ataques são movidos por um terrorismo que visa destruir a sua existência enquanto comunidade organizada em Estado independente e democrático?
2. Que vantagens trará aos habitantes desse país (tenham a identidade cultural que tiverem) a substituição de um regime democrático por uma teocracia tirânica e violadora dos mais elementares direitos humanos?
3. Como se distinguem, no meio de uma população civil, os terroristas dos não-terroristas, os militantes de um movimento "de libertação" dos "inocentes" que os rodeiam?
4. Que características físicas ou psicológicas dão mais valor aos mortos de um grupo sócio-religioso e o retiram aos de outro?
5. Como é possível destruir as armas existentes em edifícios de habitação, locais de culto ou estabelecimentos de ensino sem macular quantos os povoam (talvez de propósito)?
6. Que mecanismos usa para promover a paz dos seus concidadãos um movimento político-religioso cujo único objectivo é provocar o adversário e defender a sua extinção física e cultural?
7. Que respeito tem pelo seu povo um grupo que usa os seus conterrâneos como escudos humanos, expondo-os à violência e à morte?
8. Que consideração tem pelos seres humanos um grupo armado que usa as crianças como combatentes e/ou as educa para a futura prática de atentados?
9. Como é possível existir uma verdadeira paz sem que haja, simultaneamente, uma prática constante de tolerância mútua?
10. Que razões têm levado, nas últimas décadas, muitos dos antigos defensores do "paraíso de leste" a transferirem para a "tolerância islamita" os seus ditirambos e louvores?
Quando essas explicações surgirem, talvez possamos entender quem tem razão e quem a não tem neste conflito. Não podemos esquecer que "o discurso e a escrita política são em grande medida a defesa do indefensável" e "a própria política é uma massa de mentiras, fugas, tolices, ódio e esquizofrenia", como referiu George Orwell no seu ensaio "Politics and the English Language".
ANO NOVO
O ano novo é um corpo velho a que vestiram camisola lavada sem, contudo, lhe darem banho. Se não nos aproximarmos muito, ainda mete vista. Mas, se nos chegarmos, veremos a mesma sujidade de sempre e sentiremos no nariz o mau cheiro habitual.
Por isto, ligo tão pouco aos festejos desta época. Podem ter extroversão e alegria (se se pode chamar "alegria" às bebedeiras, à gritaria e ao foguetório para o povo ver), mas mostram sempre muito pouca felicidade.
Faço o jeito à família, para não me tornar antipático. Mas no fundo estes dias servem-me tão só para agradecer o que recebi no ano defunto e para colocar pilha nova na Esperança, sem a qual ninguém consegue viver e apenas existe.
O ano novo é um corpo velho a que vestiram camisola lavada sem, contudo, lhe darem banho. Se não nos aproximarmos muito, ainda mete vista. Mas, se nos chegarmos, veremos a mesma sujidade de sempre e sentiremos no nariz o mau cheiro habitual.
Por isto, ligo tão pouco aos festejos desta época. Podem ter extroversão e alegria (se se pode chamar "alegria" às bebedeiras, à gritaria e ao foguetório para o povo ver), mas mostram sempre muito pouca felicidade.
Faço o jeito à família, para não me tornar antipático. Mas no fundo estes dias servem-me tão só para agradecer o que recebi no ano defunto e para colocar pilha nova na Esperança, sem a qual ninguém consegue viver e apenas existe.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

