COMEMORAÇÃO
DO 21 DE MARÇO



Sabendo que também na poesia há eucaliptos, acácias, pinheiros, carvalhos, sobreiros, castanheiros, oliveiras e laurissilvas - comemoração por comemoração preferi celebrar por dentro o Dia da Árvore, como era hábito na minha infância.
Pedro Du Bois

ALÉM

Além do pensamento
riscar ao autor
o fósforo
incendiado
no desafio
de se fazer
luz

incinerar a idéia
do autor na velocidade
antecedente.

A consumação estrófica
deixa o desejo ardente
da febre mortal da exceção.

Na luz inconsumida
piora o desentendimento:

rouba ao autor
a solidez da pedra
deslocada: a entrada
ilumina o inexistente.

Outros poemas do autor:
http://www.globoonliners.com.br/icox.php?mdl=pagina&op=listar&usuario=5812

LUIS ARTURO GUICHARD


Las campanas del sitio en que nacimos
Están sonando siempre. No las oímos
Pero ellas nos están siguiendo. Miden
Los golpes que nos quedan con la precisión
Que sólo aprende el péndulo. Suenan
En aquel lugar de casas blancas
De larguísimos pasillos ciegos
En los que el mismo niño sigue
Corriendo sin encontrar la salida
Con la misma mirada del anciano
Que señala al niño un punto mas allá
del ocaso.
La despedida suena
el los oídos como un péndulo. Empecemos
a cumplir el oficio de creer y de esperar.
Entre estos doce golpes deben estar
los sonidos verdaderos.

(in Los sonidos verdaderos, México, 2000)

CASÉ LONTRA MARQUES


Alguns poemas
de
Mares inacabados
(2008)


O corpo ultrapassa a parede de argamassa, mas continua
estreito, concreto, como um pulmão trancado
em crise de asma. A liberdade
vendeu as asas em troca de paisagem.
Encontro um detrito
entre as pernas, apesar da velocidade dos afetos.
O pássaro
que inventamos era só mais um pássaro.


*


Através da vidraça trincada, dá pra ver a cara calma
da calçada. Prédios em vez de asas.
Quando escurecer, o corpo edificará sua cota
de argamassa. Algo branco
seduz a cidade com solidez de fumaça.
Depois de respirar, aceito
o sol na medida exata do furo de uma bala.


*


Lá está a esquina prevista, a cidade evidente. Mares inacabados
que o sol do sarcasmo
infeccionou. Dois desempregados cruzam o asfalto, equilibrando pássaros
dentro dos sapatos. Cultivar o corpo como pedras
que o sol do sarcasmo
infeccionou. A violência também exercita nem tão sutil melodia.


*


Móveis novos há tanto depredados. Setembro quase de todo
vertical. Uma gaveta que ninguém ousaria
comparar a um pulmão. Apesar de desfalcar o tórax
do armário. Outubro não virá
até que se abra outro janeiro no colo desta hora.


*


Pouco importa se o fogo voltará. Alguma cabeça
no mais alto degrau da escada. Ainda
o martelar daquele prego
incomodamente mudo. Resta agora a camisa pra lavar.