UMA CARTA PARA JOSÉ MIGUEL SILVA
(depositada aqui: http://eumeswill.wordpress.com/2010/01/26/progresso-onde-e-que-isso-ja-vai/#comments)


Caro José Miguel Silva, com toda a admiração que me granjeou o seu primeiro livro, pensei que lhe seria agradável a leitura deste texto sobre si que descobri há tempos num lugar de que infelizmente perdi a referência. Cumprimentos do RV



[de Edward Burton p/ José Miguel Silva]


as tábuas do balcão são de resina, contraplacado, pvc ou aparite. o mármore (onde escorrem copos) é prancha velha cujo cavername, lavrado pelo bicho da madeira, se revestiu de linóleo, de oleado.
cheira a vómito no canto da taberna.
não nego que alguns metros desse fluxo dão ao ouvido corpo e luzimento. mas a conversa (sem paralelismo) que, de hora a hora, repete a mesma frase (com charros, cuspo, vinho-carrascão), invade o olfacto, dá uma volta ao estômago.
um vómito (odor e ladainha) lança-nos fora, tira o apetite. porque um canto sem tasca, sem taberna, não sabe que um longo passadiço separa o esterco da estrumeira. que a merda e o estrume não deixam sobre a terra o mesmo adubo, a mesma voz (semente).



uma bebedeira não precisa de metáforas. overdose e falta de equilíbrio sujam o ritmo, as palavras, o olhar.
nessa taberna um canto (se) obscurece.



o cenário atrai, traz visitantes. continuará sendo simulacro à espera do ecoponto, do aterro.
pelo fogo passará (sem ignição). e nem o crescimento das gramíneas (sobre o terreno, livre de cascalho) conseguirá ocultar, passados anos, à sonda perfurando o solo e o plástico – o entulho de um canto que se ouvia, a toda a hora (gonorreia) sem cessar.
CICLO "PORTUGAL RENASCENTE"


É já no próximo sábado, pelas 15 horas, que, na Biblioteca Municipal de Sesimbra, se inicia o ciclo Portugal Renascente, com a realização do colóquio "Entre Guerra Junqueiro e Teófilo Braga" – Luís Paixão (que fará uma breve locução introdutória, alusiva ao 31 de Janeiro) Pedro Sinde e Rodrigo Sobral Cunha serão os oradores. A sessão completa-se com o lançamento do livro "Cartas de Noé para Nayma", de Carlos Aurélio (Colecção Nova Águia), apresentado por Pedro Sinde, na presença do autor e de Renato Epifânio, director da Colecção Nova Águia. Esta é uma iniciativa conjunta dos "Cadernos de Filosofia Extravagante" e da revista "Nova Águia", em parceria com a Câmara Municipal de Sesimbra.


Ainda no dia 30, mas em Setúbal, na Casa Bocage, pelas 18h00, serão apresentados o 4.º número da revista "Nova Águia" e o livro "A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa", de Rodrigo Sobral Cunha (Colecção Nova Águia).




As palavras em jogo
pelo seu autor, José do Carmo Francisco




Está quase a chegar às livrarias este livro de 220 páginas que recupera do pó do relativo esquecimento 30 entrevistas e 1 memória, lembrando deste modo 30 anos de jornalismo. No universo multifacetado dos entrevistados há um abrangente olhar sobre o Desporto e a Sociedade: Álvaro Cunhal, Américo Guerreiro de Sousa, António Alçada Baptista, António Roquete, Carlos Mendes, Clara Pinto Correia, Daniel Sampaio, David Mourão-Ferreira, Dinis Machado, E.M. Melo e Castro, Eduardo Guerra Carneiro, Eduardo Nery, Fausto, Francisco dos Santos, Francisco José Viegas, Helena Marques, Joaquim Pessoa, José Duarte, José Fernandes Fafe, José Manuel Mendes, José Nuno Martins, José Quitério, Lídia Jorge, Luís Filipe Maçarico, Mário Jorge, Matos Maia, Mia Couto, Nicolau Saião, Rita Ferro, Romeu Correia e Urbano Tavares Rodrigues.

As entrevistas e a memória de Francisco dos Santos (1878-1930), o primeiro português a jogar em Itália, foram publicadas entre 1992 e 1996 na revista Bola Magazine que entretanto cessou publicação. Algumas delas foram mais sintéticas devido à falta de espaço mas todas apresentam o interesse do depoimento das diversas figuras públicas sobre a sua relação com o Desporto. Apenas dois aspectos: primeiro – algumas delas trazem anexos em verso e em prosa do entrevistado que muito enriquecem o conteúdo final; segundo – a partir destes textos é possível organizar um perfil do futebol em Portugal no século XX desde a memória de Francisco dos Santos em Roma na primeira década ao Eusébio da década de setenta aqui recordado por José Duarte passando pelo Mário Jorge dos anos oitenta e sem esquecer António Roquete que jogou nas década de vinte e de trinta além de Francisco José Viegas que recorda Madjer e Dinis Machado que lembra nomes dos anos 40, 50 e 60 como Araújo, Passos, Jesus Correia, Arsénio, Vasques, Travassos, Germano, Matateu, Jaime Graça, Hernâni, Águas, Humberto Coelho, Ian Rush, Yazalde, Carlos Gomes, Azevedo, Bento, Banks, Yashine, um nunca acabar de homens, de memórias e de mitos. Sem esquecer as motos de Eduardo Guerra Carneiro e as bicicletas de Lídia Jorge.
CERCOS VOLUNTÁRIOS


in Bar na Cave


(Rua da Imprensa Nacional 116b, Lisboa - entre o Jardim do Príncipe Real e o Largo do Rato)



Exposição Permanente de Sandra Filipe
(5as, 6as e sábados)


22 de Janeiro (6a feira - 23h): Catarina Nunes de Almeida e Pedro Lamares lêem "Cerco Voluntário", de Vasco Gato

23 de Janeiro (sábado - 23h): Entropic Duo - Gonçalo Gato (Guitarra) e Nuno Almeida (Bateria)