REVISTA TRIPLOV
DE ARTES, RELIGIÕES E CIÊNCIAS
Nº 4 - Março de 2010
http://revista.triplov.com/numero_04/
editorial
Floriano Martins
Realismo e surrealismo nos Estados Unidos
Entre outros artigos e outras obras, poderão ser lidos:
António Justo
O cientista faz, o artista realiza e o crente celebra
Adílio Jorge Marques & Carlos A. L. Filgueiras
O químico e naturalista luso-brasileiro Alexandre Domingos Vandelli
Julio Borromé
¿Qué es la filosofía?, de José Manuel Briceño Guerrero
Sara L. Miranda
A rapariga de cristal
Leonardo Boff
A hora e a vez da ecologia mental
Miguel Ángel Muñoz
Albert Ràfols-Casamada: “Después de la sensibilidad, se encuentra la razón”
Fulvio Fernández
Trabajos
Élson Bruno Santos Aguiar
Antonio Cedraz e a Turma do Xaxado
Henrique Marques-Samyn
Da palavra à poesia: uma (provisória) leitura da obra de Andityas Soares de Moura
Jaime de Barros
Felippe D’Oliveira – O que pensam e sentem os homens moços do Brasil
António Miranda
A poesia da forma: o cinquentenário de Brasília e a proposta da II Bienal Internacional de Poesia
Linaldo Guedes
IkaRo MaxX: Poeta, solteiro, vagabundo, amante, cosmopolita
Alessandro Zir
Do mais lúcido irmão que não me conhecia — a ele (II)
Maria Estela Guedes
Realismos em Nova Iorque
POEMAS DE RENATO SUTTANA
TALVEZ
O ouro de amanhã é talvez,
a certeza dos portos é quem sabe.
A verdade de amanhã,
engastada no fundo das minas –
é uma hipótese a que nos confiamos,
mas que não se confirma no vento.
(Que motivo teria para tudo se confirmar?)
De hoje até amanhã tudo é hipótese –
e o vento, que não se esclarece num mapa.
SÃO SEBASTIÃO
(De uma gravura de Egon Schiele)
As flechas que o atravessam
(dardos de sol que o contestam) –
querem passar além dele
(eis a intenção que as impele).
NO MAIS FUNDO
No mais propício e no mais fundo
descobre-se que ter estado escavando
adulterou o sentido da procura:
e que o ouro que nos pôs nas mãos
(quanto irrisório triunfo!)
nos tornou mais pobres a cada vitória
conquistada.
Poemas publicados em Fim do Verão, livro editado pela Virtual Books (Pará de Minas, Minas Gerais, Brasil). O seu autor, Renato Suttana, nasceu em Barroso (1966), sendo professor na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Grande Dourados, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Como ensaísta, publicou os livros João Cabral de Melo Neto: o poeta e a voz da modernidade (São Paulo, 2005) e Uma poética do deslimite: Poema e imagem na obra de Manoel de Barros (Dourados, 2009). Coordena a página Arquivo de Renato Suttana.
TALVEZ
O ouro de amanhã é talvez,
a certeza dos portos é quem sabe.
A verdade de amanhã,
engastada no fundo das minas –
é uma hipótese a que nos confiamos,
mas que não se confirma no vento.
(Que motivo teria para tudo se confirmar?)
De hoje até amanhã tudo é hipótese –
e o vento, que não se esclarece num mapa.
SÃO SEBASTIÃO
(De uma gravura de Egon Schiele)
As flechas que o atravessam
(dardos de sol que o contestam) –
querem passar além dele
(eis a intenção que as impele).
NO MAIS FUNDO
No mais propício e no mais fundo
descobre-se que ter estado escavando
adulterou o sentido da procura:
e que o ouro que nos pôs nas mãos
(quanto irrisório triunfo!)
nos tornou mais pobres a cada vitória
conquistada.
Poemas publicados em Fim do Verão, livro editado pela Virtual Books (Pará de Minas, Minas Gerais, Brasil). O seu autor, Renato Suttana, nasceu em Barroso (1966), sendo professor na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Grande Dourados, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Como ensaísta, publicou os livros João Cabral de Melo Neto: o poeta e a voz da modernidade (São Paulo, 2005) e Uma poética do deslimite: Poema e imagem na obra de Manoel de Barros (Dourados, 2009). Coordena a página Arquivo de Renato Suttana.
AVELINO DE SOUSA
QUATRO QUASE-SONETOS
1.
Noite escura da alma. Altas portas
que se entreabrem, nos gonzos rangendo.
Como em lagos parados, horas mortas,
vai em meus olhos a luz anoitecendo.
A vela sobre a mesa. Linhas tortas
são as que a mão, tremente, vai escrevendo.
A cera derretida. A quanto exortas
exangue coração que estás ardendo!
Noite escura da alma. São João,
o Baptista, o da Cruz – o que é que importa?
Tudo são coplas, glosas de outras vidas.
Noite escura da alma. Até o cão,
adormecendo, a cabeça deixa cair, absorta,
no vale negro das esperanças perdidas.
2.
Altas as portas nos gonzos rangendo.
Ferrolhos que retinem com fragor.
Espiral de escadarias. Ascendendo
vai a alma. Escuro é o corredor.
A mão que inúteis versos vai escrevendo.
Que ritmo é que a guia, que rumor?
Embalada no rito, nada vendo,
vai a alma. Estreito é o corredor.
Súbito, no patamar ao fim da escada,
uma forma de luz, subido raio,
logo surge em todo o esplendor.
A noite dá lugar à alvorada.
A mão, tremendo, já não escreve nada.
A alma é estrela, enfim, de raro fulgor!
3.
Altas portas fechadas, sem entrada.
Altas portas fechadas, sem batentes.
Todo o céu exterior é uma estrada
que as estrelas polvilham de sementes.
Essa estrada conduz a uma entrada
de um palácio trancado a cadeado.
Altas portas que não se abrem para nada.
Altas portas fechadas sem telhado.
Para sempre fechadas para tudo,
só para a Alma-Estrela sempre abertas
no palácio do seu ser mais profundo.
Todo o céu interior se fecha, mudo,
atrás de portas altas mas secretas,
as mais altas portas do Profundo.
4.
A vela sobre a mesa. Linhas vagas
são as que a mão, tremente, foi escrevendo:
versos velhos, puído ouro de sagas.
E logo a fraca chama escurecendo.
Ali ao lado o escudo e as adagas.
Um som, ao longe, de gonzos rangendo.
Um galo está cantando horas pressagas.
E nos meus olhos a luz esmorecendo.
O cão fiel num sono sem rebate
é uma glosa da alma em noite escura.
Silêncio nos jardins da alvorada!
Só num compasso certo bate, bate
o coração – são coplas de resgate
p’la Alma: Estrela transfigurada!
(in Pastor de Estrelas, edição do autor, 2009)
QUATRO QUASE-SONETOS
1.
Noite escura da alma. Altas portas
que se entreabrem, nos gonzos rangendo.
Como em lagos parados, horas mortas,
vai em meus olhos a luz anoitecendo.
A vela sobre a mesa. Linhas tortas
são as que a mão, tremente, vai escrevendo.
A cera derretida. A quanto exortas
exangue coração que estás ardendo!
Noite escura da alma. São João,
o Baptista, o da Cruz – o que é que importa?
Tudo são coplas, glosas de outras vidas.
Noite escura da alma. Até o cão,
adormecendo, a cabeça deixa cair, absorta,
no vale negro das esperanças perdidas.
2.
Altas as portas nos gonzos rangendo.
Ferrolhos que retinem com fragor.
Espiral de escadarias. Ascendendo
vai a alma. Escuro é o corredor.
A mão que inúteis versos vai escrevendo.
Que ritmo é que a guia, que rumor?
Embalada no rito, nada vendo,
vai a alma. Estreito é o corredor.
Súbito, no patamar ao fim da escada,
uma forma de luz, subido raio,
logo surge em todo o esplendor.
A noite dá lugar à alvorada.
A mão, tremendo, já não escreve nada.
A alma é estrela, enfim, de raro fulgor!
3.
Altas portas fechadas, sem entrada.
Altas portas fechadas, sem batentes.
Todo o céu exterior é uma estrada
que as estrelas polvilham de sementes.
Essa estrada conduz a uma entrada
de um palácio trancado a cadeado.
Altas portas que não se abrem para nada.
Altas portas fechadas sem telhado.
Para sempre fechadas para tudo,
só para a Alma-Estrela sempre abertas
no palácio do seu ser mais profundo.
Todo o céu interior se fecha, mudo,
atrás de portas altas mas secretas,
as mais altas portas do Profundo.
4.
A vela sobre a mesa. Linhas vagas
são as que a mão, tremente, foi escrevendo:
versos velhos, puído ouro de sagas.
E logo a fraca chama escurecendo.
Ali ao lado o escudo e as adagas.
Um som, ao longe, de gonzos rangendo.
Um galo está cantando horas pressagas.
E nos meus olhos a luz esmorecendo.
O cão fiel num sono sem rebate
é uma glosa da alma em noite escura.
Silêncio nos jardins da alvorada!
Só num compasso certo bate, bate
o coração – são coplas de resgate
p’la Alma: Estrela transfigurada!
(in Pastor de Estrelas, edição do autor, 2009)
DIVINA MÚSICA
Chegou há poucos dias há minha caixa de correio a antologia Divina Música – Antologia de Poesia sobre Música, uma edição comemorativa do 25.º Aniversário do Conservatório Regional de Música de Viseu, organizada por Amadeu Baptista.
Nela podem ser lidos poemas de Adalberto Alves, Affonso Romano de Sant’Ana, Albano Martins, Alexandra Malheiro, Alexandre Vargas, Alexei Bueno, Amadeu Baptista, Ana Hatherly, Ana Luísa Amaral, Ana Mafalda Leite, Ana Marques Gastão, Ana Salomé, Ana Sousa, António Brasileiro, António Cabrita, António Cândido Franco, António Ferra, António Gregório, António José Queirós, António Osório, António Rebordão Navarro, António Salvado, Artur Aleixo, Bruno Béu, C. Ronald, Camilo Mota, Carlos Felipe Moisés, Carlos Garcia de Castro, Casimiro de Brito, Cláudio Daniel, Cristina Carvalho, Daniel Abrunheiro, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Danny Spínola, Davi Reis, Donizete Galvão, E.M. de Melo e Castro, Edimilson de Almeida Pereira, Eduardo Bettencourt Pinto, Eduíno de Jesus, Ernesto Rodrigues, Eunice Arruda, Fernando de Castro Branco, Fernando Echevarría, Fernando Esteves Pinto, Fernando Fábio Fiorese Furtado, Fernando Grade, Fernando Guimarães, Fernando Pinto do Amaral, Francisco Curate, Gonçalo Salvado, Graça Magalhães, Graça Pires, Henrique Manuel Bento Fialho, Hugo Milhanas Machado, Iacyr Anderson Freitas, Inês Lourenço, Isabel Cristina Pires, Jaime Rocha, Joaquim Cardoso Dias, João Aparício, João Camilo, João Candeias, João Manuel Ribeiro, João Moita, João Rasteiro, João Rios, João Rui de Sousa, João Tala, Joaquim Feio, Jorge Arrimar, Jorge Reis-Sá, Jorge Velhote, José Agostinho Baptista, José Carlos Barros, José do Carmo Francisco, José Luís Mendonça, José Luís Peixoto, José Manuel Vasconcelos, José Mário Silva, José Miguel Silva, José Tolentino de Mendonça, Júlio Polidoro, Levi Condinho, Luís Amorim de Sousa, Luís Filipe Cristóvão, Luís Quintais, Luís Soares Barbosa, manuel a. domingos, Margarida Vale de Gato, Maria Andersen, Maria Estela Guedes, Maria João Reynaud, Maria Teresa Horta, Miguel-Manso, Miguel Martins, Myriam Jubilot de Carvalho, Nicolau Saião, Nuno Dempster, Nuno Júdice, Nuno Rebocho, Ondjaki, Ozias Filho, Patrícia Tenório, Paula Cristina Costa, Paulo Ramalho, Paulo Tavares, Prisca Agustoni, Risoleta Pinto Pedro, Roberval Alves Pereira, Rosa Alice Branco, Rui Almeida, Rui Caeiro, Rui Coias, Rui Costa, Ruy Ventura, Sara Canelhas, Soledade Santos, Teresa Tudela, Torquato da Luz, Urbano Bettencourt, Vasco Graça Moura, Vera Lúcia de Oliveira, Vergílio Alberto Vieira, Victor Oliveira Mateus, Virgílio de Lemos, Vítor Nogueira, Vítor Oliveira Jorge, Yvette K. Centeno, Zetho Cunha Gonçalves.
Há no volume poemas que gostei muito de ler, como por exemplo os assinados por C. Ronald, Carlos Felipe Moisés, Carlos Garcia de Castro, Edimilson de Almeida Pereira, Echevarría, Fiorese Furtado, Iacyr Anderson Freitas, Joaquim Cardoso Dias, João Camilo, José Carlos Barros, José Mário Silva, Luís Quintais, Luís Soares Barbosa, Maria Andersen, N. Saião, Nuno Dempster e Rui Almeida. De outros, nem tanto, sou sincero. (Continuo a não perceber como pôde ficar à porta um poeta da craveira de Wilmar Silva - mas Amadeu lá conhecerá as suas mais íntimas razões). Pessoalmente, assino por lá um poema dedicado a Bach, numa versão que os últimos tempos se encarregaram já de modificar.
Chegou há poucos dias há minha caixa de correio a antologia Divina Música – Antologia de Poesia sobre Música, uma edição comemorativa do 25.º Aniversário do Conservatório Regional de Música de Viseu, organizada por Amadeu Baptista.
Nela podem ser lidos poemas de Adalberto Alves, Affonso Romano de Sant’Ana, Albano Martins, Alexandra Malheiro, Alexandre Vargas, Alexei Bueno, Amadeu Baptista, Ana Hatherly, Ana Luísa Amaral, Ana Mafalda Leite, Ana Marques Gastão, Ana Salomé, Ana Sousa, António Brasileiro, António Cabrita, António Cândido Franco, António Ferra, António Gregório, António José Queirós, António Osório, António Rebordão Navarro, António Salvado, Artur Aleixo, Bruno Béu, C. Ronald, Camilo Mota, Carlos Felipe Moisés, Carlos Garcia de Castro, Casimiro de Brito, Cláudio Daniel, Cristina Carvalho, Daniel Abrunheiro, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Danny Spínola, Davi Reis, Donizete Galvão, E.M. de Melo e Castro, Edimilson de Almeida Pereira, Eduardo Bettencourt Pinto, Eduíno de Jesus, Ernesto Rodrigues, Eunice Arruda, Fernando de Castro Branco, Fernando Echevarría, Fernando Esteves Pinto, Fernando Fábio Fiorese Furtado, Fernando Grade, Fernando Guimarães, Fernando Pinto do Amaral, Francisco Curate, Gonçalo Salvado, Graça Magalhães, Graça Pires, Henrique Manuel Bento Fialho, Hugo Milhanas Machado, Iacyr Anderson Freitas, Inês Lourenço, Isabel Cristina Pires, Jaime Rocha, Joaquim Cardoso Dias, João Aparício, João Camilo, João Candeias, João Manuel Ribeiro, João Moita, João Rasteiro, João Rios, João Rui de Sousa, João Tala, Joaquim Feio, Jorge Arrimar, Jorge Reis-Sá, Jorge Velhote, José Agostinho Baptista, José Carlos Barros, José do Carmo Francisco, José Luís Mendonça, José Luís Peixoto, José Manuel Vasconcelos, José Mário Silva, José Miguel Silva, José Tolentino de Mendonça, Júlio Polidoro, Levi Condinho, Luís Amorim de Sousa, Luís Filipe Cristóvão, Luís Quintais, Luís Soares Barbosa, manuel a. domingos, Margarida Vale de Gato, Maria Andersen, Maria Estela Guedes, Maria João Reynaud, Maria Teresa Horta, Miguel-Manso, Miguel Martins, Myriam Jubilot de Carvalho, Nicolau Saião, Nuno Dempster, Nuno Júdice, Nuno Rebocho, Ondjaki, Ozias Filho, Patrícia Tenório, Paula Cristina Costa, Paulo Ramalho, Paulo Tavares, Prisca Agustoni, Risoleta Pinto Pedro, Roberval Alves Pereira, Rosa Alice Branco, Rui Almeida, Rui Caeiro, Rui Coias, Rui Costa, Ruy Ventura, Sara Canelhas, Soledade Santos, Teresa Tudela, Torquato da Luz, Urbano Bettencourt, Vasco Graça Moura, Vera Lúcia de Oliveira, Vergílio Alberto Vieira, Victor Oliveira Mateus, Virgílio de Lemos, Vítor Nogueira, Vítor Oliveira Jorge, Yvette K. Centeno, Zetho Cunha Gonçalves.
Há no volume poemas que gostei muito de ler, como por exemplo os assinados por C. Ronald, Carlos Felipe Moisés, Carlos Garcia de Castro, Edimilson de Almeida Pereira, Echevarría, Fiorese Furtado, Iacyr Anderson Freitas, Joaquim Cardoso Dias, João Camilo, José Carlos Barros, José Mário Silva, Luís Quintais, Luís Soares Barbosa, Maria Andersen, N. Saião, Nuno Dempster e Rui Almeida. De outros, nem tanto, sou sincero. (Continuo a não perceber como pôde ficar à porta um poeta da craveira de Wilmar Silva - mas Amadeu lá conhecerá as suas mais íntimas razões). Pessoalmente, assino por lá um poema dedicado a Bach, numa versão que os últimos tempos se encarregaram já de modificar.
ALBERTO VELHO NOGUEIRA
ENTREVISTADO PELA "LER"
Ao decidirem avançar com a publicação na revista LER de uma entrevista do escritor Alberto Velho Nogueira, Francisco José Viegas (director) e José Riço Direitinho (entrevistador) praticaram um acto de justiça.
Num período de grande confusão e rebaixamento na nossa literatura (em que dia a dia se confirma a promoção de génios de papelão e a ocultação de todos quantos servem a palavra com uma arte exigente e questionadora, sem se vergarem a modas, facilidades ou regras de mercado), ler as palavras de alguém como Nogueira confirma que são as veredas e outros caminhos escondidos que levam ao lugar do tesouro. Não estamos condenados a comer apenas sopa literária (por mais saborosa que ela seja); há outros manjares mais substanciais nesta mesa com vários séculos de criação e de frequência.
A escrita de Alberto Velho Nogueira (com as obras de Maria Gabriela Llansol, Fernando Echevarría, C. Ronald, Carlos S. C. Couto, Wilmar Silva e muitos outros) poderá exigir uma caminhada iniciática e uma digestão lenta - mas alimentar-nos-á muito mais do que certos acepipes pseudo-realistas que nunca passarão de comida rápida comprada nos supermercados de uma literatura sem ousadia nem experimentação.
(A partir de uma carta enviada a Francisco José Viegas.)
ENTREVISTADO PELA "LER"
Ao decidirem avançar com a publicação na revista LER de uma entrevista do escritor Alberto Velho Nogueira, Francisco José Viegas (director) e José Riço Direitinho (entrevistador) praticaram um acto de justiça.
Num período de grande confusão e rebaixamento na nossa literatura (em que dia a dia se confirma a promoção de génios de papelão e a ocultação de todos quantos servem a palavra com uma arte exigente e questionadora, sem se vergarem a modas, facilidades ou regras de mercado), ler as palavras de alguém como Nogueira confirma que são as veredas e outros caminhos escondidos que levam ao lugar do tesouro. Não estamos condenados a comer apenas sopa literária (por mais saborosa que ela seja); há outros manjares mais substanciais nesta mesa com vários séculos de criação e de frequência.
A escrita de Alberto Velho Nogueira (com as obras de Maria Gabriela Llansol, Fernando Echevarría, C. Ronald, Carlos S. C. Couto, Wilmar Silva e muitos outros) poderá exigir uma caminhada iniciática e uma digestão lenta - mas alimentar-nos-á muito mais do que certos acepipes pseudo-realistas que nunca passarão de comida rápida comprada nos supermercados de uma literatura sem ousadia nem experimentação.
(A partir de uma carta enviada a Francisco José Viegas.)
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