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SUN INTO SEA
Traduções de Brian Strang


O endereço é http://sunintosea.blogspot.com/ e é um blogue criado por Brian Strang para divulgar as suas traduções de poetas portugueses contemporâneos. O sítio merecerá toda a nossa atenção futura:

"Olá amigos! Welcome to SUN INTO SEA, a site for occasional translations of contemporary Portuguese poetry. The first poet I'll introduce is Jorge Melícias (b. 1970), author of several books of poetry and translation. His most recent book, disrupção, is a collection of his previously published work. More translation of his work, and an essay of mine on it, can be found at Duration Press."
LIVRO DE RUY VENTURA
TRADUZIDO NOS ESTADOS UNIDOS

Acaba de ser publicada nos Estados Unidos da América, em San Francisco (Califórnia), uma tradução do livro de poesia de Ruy Ventura intitulado Assim se deixa uma casa. A obra agora dada a lume com o título How to leave a house surge no âmbito do projecto “Second Mind”, contando com uma versão inglesa da responsabilidade de Brian Strang, que já antes publicara nessa língua poemas do autor de Arquitectura do Silêncio, nomeadamente na revista 26: A Journal of Poetry and Poetics, editada também na cidade californiana, e em publicações electrónicas.
Brian Strang vive em Oakland, sendo professor na San Francisco State University e no Merritt College. Publicou, entre outros, os livros Incretion e machinations. Tem traduzido, em conjunto com Elisa Brasil, poemas de vários autores contemporâneos de língua portuguesa. Pintor, tem quadros que podem ser vistos na sua página on-line, “Sorry Nature” (http://sorrynature.blogspot.com/).
Assim deixa uma casa, cuja tradução agora se publica, teve a sua primeira edição em Portugal no ano de 2003, pelas edições Alma Azul, de Coimbra. Tratou-se de uma edição bilingue, em português e espanhol, com versão e prefácio de Antonio Sáez Delgado (Cáceres, 1970), um dos mais importantes estudiosos e divulgadores da literatura portuguesa dos séculos XX e XXI em Espanha. Sobre esta obra, escreveu Pedro Sena-Lino em 26 de Janeiro de 2004 na página “Canal de Livros” (http://www.canaldelivros.com/data/Novidades/640.htm):
Desde o seu primeiro livro, [...] Arquitectura do Silêncio, que a poesia de Ruy Ventura se constrói numa tensão obsessional pelas coordenadas de espaço e tempo, pelos seus limites e capacidades. A inscrição, através do poema, visa simultaneamente reconciliar o visível e o invisível, o tempo anterior, o presente e o passado, e criar no lugar-tempo do poema um espaço fixo de imutabilidade, uma estrutura do eu em sintonia e coerência. / Donde que neste seu quarto livro, Assim se deixa uma casa, esta temática se manifeste em tonalidade diferente da do primeiro livro, ou mesmo de Sete Capítulos do Mundo, recentemente editado pela Black Sun. A Casa, baluarte identitário e veículo do espaço absoluto do poema, é uma entidade simultaneamente materna e protectora; abandona-lá significa um corte, com qualquer coisa de injusto: / […] / Porém, o valor espiritual da casa é desenvolvido com larga perspectiva pela pena de Ruy Ventura: / […] / Mais um aspecto da inscrição do natural (outro tema caro a esta poesia), ou seja, da identidade da natureza face ao tempo, que Ruy Ventura tem levado a cabo, com assinalável coerência, num processo de escrita que cada vez mais se condensa numa sucessão de imagens estranhantes, perturbadoras, misteriosas.”
José Mário Silva, por seu lado, referiu no “Diário de Notícias” de 8 de Janeiro de 2004:
Este é um universo fechado, somatório de enumerações e enquadramentos fotográficos. Os versos são degraus por onde sobem imagens duma despedida, de uma ausência em curso. A casa esvazia-se mas permanece de pé – “estátua de areia / num jardim de inverno”. Há um cântaro que guarda o “caminho entre a fonte / e a alegria”. O texto, esse, arde na sua opacidade. Porque é “ao mesmo tempo / luz e interpretação da luz”.”



BRIAN STRANG


número oito

começar de novo de outro ponto sem qualquer controlo
sobre as forças que te rodeiam

rostos carregados encostam à tua cápsula uma espécie de lágrima
no tecido da tua existência diária encontra um lugar

para ti natural acolhe os factos tal como são vê que por detrás
dos rostos estão pessoas esfoladas até aos ossos como tu

enquanto nos aproximarmos do último palco procura ligar-te
com os outros nos olhos esperando encontrar alguém como

aquele tabuado branco ao sol e uma árvore oscilante
cedros ou ponderosas tornados monumentos ou

tectos ladrilhados o brilho dos carris do eléctrico trabalha
sozinho uma ficção fica mas mente nos tijolos suspira

mencionando apenas as oportunidades arrancadas e não te deixarás
subir numa bolha de ganância ou cair numa exausta queda

de poentes ou afogar no fundo do oceano coberto
por um enleio de obsessão e as censuras ficam tão libertas

e perguntam se a tua sorte será perdoada comendo ou recusando comer
dando crédito às figuras transparentes que atravessam

a luz duma vela no teu espaço vital sentindo o medo
a atravessar pela porta aberta

tatuando vitalidade na tua pele não conseguirás
mover de lado os enleados e trepadores ossos perdidos

(In Incretion, Spuyten Duyvil, New York, 2003; tradução de RV. Brian Strang, autor também da ilustração, coordena o blogue Sorry Nature.)