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SEIS APONTAMENTOS
SOBRE CHAVE DE IGNIÇÃO

Não é ainda a versão final do texto de João Candeias, mas já é possível ler aqui uma versão prévia do ensaio lido pelo autor de Voltei à casa pequena no lançamento de Chave de ignição, em Sesimbra. Agradeço desde já a vossa leitura.

LIVRO DE JOSÉ CARLOS BARROS
GALARDOADO COM O PRÉMIO
"SEBASTIÃO DA GAMA"


José Carlos Barros, nascido em Boticas no ano de 1963 e actualmente vice-presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, foi o vencedor da 12ª. edição do Prémio Nacional de Poesia "Sebastião da Gama" com o original intitulado Os Sete Epígonos de Tebas. O autor premiado, que já em 1990 recebera o mesmo galardão, é licenciado em Arquitectura Paisagista pela Universidade de Évora. Vive em Cacela, no Algarve, desde o início dos anos noventa. Publicou os seguintes livros de poesia: Pequenas Depressões (em colaboração com Otília Monteiro Fernandes – 1984); Uma Abstracção Inútil (1991); Todos os Náufragos(1994); Teoria do Esquecimento (1995); As Leis do Povoamento (1996); Las Moradas Inútiles (edição bilingue, Punta Umbría, 2007; edição em castelhano, La Habana, Cuba, 2009). Publicou, em prosa, O Dia em que o Mar Desapareceu (2003) e está em preparação a edição de um romance seu na Oficina do Livro, a sair em Junho.
A cerimónia de entrega do prémio terá lugar a 16 de Maio, pelas 21 horas, no Auditório Carlos Alberto Ferreira Júnior, na Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, em Vila Nogueira de Azeitão. Actuará o Grupo de Dança Renascentista Ars Luce e a Orquestra Filarmónica da Sociedade. Serão lidos poemas de Sebastião da Gama e de José Carlos Barros.


O Júri deste Prémio - constituído pelos poetas João Candeias, Joaquim Cardoso Dias e Ruy Ventura - reunido no passado dia 17 de Abril, decidiu também por unanimidade atribuir duas menções honrosas aos livros A Demanda do Conhecimento, de Firmino Mendes, e Objecto Persistente, de Rui Costa.
João Candeias

[para Cristovam Pavia]


palavras I

vamos agora esbater as fronteiras
pegar nos remos, navegar como se
uma luz acenasse do infinito
contornar o vazio das palavras
a alucinação deletéria das imagens
a imensa bravura dos oceanos

vamos situar as estevas ao nível das fontes
libertar-nos dessa opressão do corpo:
tomemos o peso ao corpo, até que
o peso do corpo sobre o coração
identifique o rosto
a perfeição do corpo deleitoso
o seu perfil humano, desamericanizado e belo

os lábios descem à emanação telúrica do basalto
vicejam avencas pela verdadeira rede das palavras
é aí que renascem, se nutrem, crescem
flâmulas eufóricas no vento do diálogo
o diálogo encontra a luz e o ouro
sobre a sombra
azul o corpo retoma a navegação como se
o licorne de ouro acenasse do infinito


palavras II

porque te quedaste imperioso, interrogante do silêncio
como espécie rara por habitar os aziagos destinos
com um lampejo de voz nas arestas vivas dos caminhos;
porque descias o chiado com uma lâmpada acesa
à procura do mapa com o plano dos diálogos definitivos…
as palavras, as palavras sempre te aterraram
com elas se decidiram os grandes duelos da honra
por elas se construíram os grandes templos de deus – topografias da alma –
e se desejou a salvação no dia do armistício.
aliás é sempre o que sobra do que se diz o mais inquietante
o movimento circular como um espelho lunar do gesto interminável
que se não completa na orquestrada gargalhada suspensa.

desço ao seio dos teus dias pela haste estreita do acaso
e desafio cada peça do cenário em que pintas
a cidade o acto de nascer e de continuar morrendo
o blusão negro com badges da paz rasgada
ao pequeno inferno onde afogas as paixões mais solenes
e ousas sempre um outro passo ágil e furtivo
e observas nas montras de natal as máscaras da nova contrição.

o rio é sempre uma larga espera quando se espraia em quietude
serenidade, e resguarda futuros, adormece e acorda ausências