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Marco Aqueiva


Alguns poemas


O REAL INIMIGO

Quanto cotidiano cabe em teu crânio?

À luz do dia – a superfície em destroços
cidade e as coisas feitas avançando
e à medida das cascas não bastam olhos

Quanto cotidiano cabe no homem
até os sonhos estalarem vazios por dentro?

De quanta grandeza um oco estalo sem onde
: violência sem contato e ocasião propícia



POEMA PORRADA

Os olhos antes da chegada do corpo
armam-se meticulosos e laterais
chegam de passagem fortemente
insatisfeitos

A sucata do corpo entre rugas e cosméticos
alonga-se aos olhos seviciados pelas pequenas
unhas comprimidas contra a própria mão fechada

O rosto vazio em cada gesto desses olhos
o tremor que desliza pelo corpo
breve tremor injetando-se em torno das unhas

E no meio da rua a mão
cirúrgica contra o real obrigatório e azul
esmurra o corpo que cruza sua trajetória
só de passagem


O ANTROPÓFAGO NAS LETRAS

O chão perco na releitura
um clarão me prolonga
até arder-me em chamas
é o texto me chamando
a esta paisagem urbana
a ponto de principiá-lo
como tua carne minha
me sabe sei que devora