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Beja revela pedras preciosas do



Tesouro de Nossa Senhora dos Prazeres





Obra-prima do Barroco nacional, a igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, em Beja, acolhe “Esplendores do Barroco”, uma iniciativa de divulgação científica, incluída no projecto Geologia no Verão, que se centra na análise das gemas – pedras preciosas ou semipreciosas – aplicadas na arte sacra. Esta actividade terá lugar a 18 de Setembro, pelas 16 horas, e tem acesso livre. É organizada pelo Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, em parceria com o Museu Nacional de História Natural (Universidade de Lisboa) e a Câmara Municipal de Beja.

Sob a orientação do gemólogo Rui Galopim de Carvalho, “executive liaison ambassador” da ICA (International Colored Gemstone Association), quem se deslocar nesta tarde à igreja dos Prazeres poderá conhecer, de perto, os segredos dos diamantes, rubis, crisoberilos, ametistas e outras pedrarias das colecções do Museu Episcopal de Beja, em que se incluem diversas jóias pertencentes à imagem da padroeira do templo, muito venerada em Beja.

A sessão prevê também que os visitantes tragam de casa peças sobre cujas pedras queiram saber mais para que, num laboratório móvel instalado na igreja, Galopim de Carvalho proceda à sua análise, procedendo à identificação das suas gemas quanto aos países de origem, antiguidade, estado de conservação e valor patrimonial. Presta-se assim gratuitamente, no âmbito do Programa Ciência Viva, um serviço que costuma ser pago a bom preço.

Os monumentos religiosos e os espólios neles contidos, quase sempre o resultado do trabalho e da generosidade de muitas gerações, não possuem apenas um interesse cultural, histórico ou artístico. Na verdade, constituem também um repositório de elementos de grande alcance científico, podendo inclusivamente ajudar a esclarecer mistérios que intrigam os especialistas das ciências exactas e naturais, como a Geologia, e dão contributos significativos do ponto de vista da investigação tecnológica. Chamar a atenção para um manancial que vemos ou pisamos todos os dias, mas que não conhecemos suficientemente, é o mote do projecto em curso.

Daí o entusiasmo suscitado por acções, como as propostas pela Agência Ciência Viva, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que se destinam a estabelecer laços entre o património, as comunidades e a prática científica. No que diz respeito ao Baixo Alentejo, as várias igrejas da diocese de Beja que têm sido alvo de encontros com cientistas e tecnólogos registaram sempre “casa cheia”. Isto revela a importância de se rasgarem novas perspectivas na leitura de um património cujo potencial se estende muito para além dos horizontes da arte sacra.



No coração da cidade

A igreja de Nossa Senhora dos Prazeres ocupa um lugar especial no coração dos bejenses. É proverbial a devoção das gentes da cidade a Maria, consubstanciada por vários santuários sob a sua invocação que definem uma verdadeira “geografia sagrada”. Dois deles, Nossa Senhora ao Pé da Cruz e Nossa Senhora dos Prazeres, estabelecem entre si uma relação muito especial: se o primeiro celebra a Morte de Cristo, aspectos muito enraizados na religiosidade alentejana, o segundo assinala a Ressurreição.

Não surpreende, pois, que a antiga Irmandade dos Prazeres se tenha esforçado por erguer, na transição do século XVIII para o XIX, um templo de excepcional magnificência no interior, apesar da discrição do seu aspecto exterior – outra característica da sensibilidade do Alentejo, reservar para “dentro de casa” o que é importante. Colaboraram nesta tarefa, que demorou quase cinquenta anos, os melhores artistas e artífices disponíveis em Portugal, desde os pintores Gabriel del Barco e António de Oliveira Bernardes até aos entalhadores Manuel João da Fonseca e Francisco da Silva.

O conjunto de alfaias da igreja faz justiça a este empenho comunitário. Com efeito, a igreja possui um espólio digno de referência, sobretudo no âmbito das artes decorativas. Das jóias que outrora guarneceram a imagem de Nossa Senhora chegaram aos nossos dias, apesar de sucessivas delapidações – sobretudo quando as tropas napoleónica invadiram a cidade –, peças de notável interesse histórico-artístico. E também científico, como as investigações gemológicas de Rui Galopim de Carvalho vieram demonstrar, alargando conhecimentos acerca de aspectos muito relevantes, como a importação de gemas extra-europeias ou as técnicas de talhe, acabamento e engaste.

Este mundo insuspeito alarga-se a outras peças do Museu Episcopal, contíguo ao templo. Aqui o protagonismo coube a quatro relicários em cristal-de-rocha, executados na corte dos sultões fatimidas do Cairo (séculos IX-X) como recipientes de unguentos, ditos “kohl”, destinados à cosmética, feminina e masculina. O mundo cristão deixou-se fascinar pela beleza transcendente deste receptáculos e, omitindo a sua função profana, apropriou-se deles, transformando-os em relicários. Terão sido trazidos para Beja por cavaleiros desta cidade que estiveram presentes nas duas últimas cruzadas na Terra Santa. São obras raras e de uma grande pureza mineralógica, reforçando o papel do Baixo Alentejo no contexto da arte islâmica.



Uma vocação científica

Rui Galopim de Carvalho formou-se em Geologia na Universidade de Lisboa e especializou-se em Londres nas áreas da Gemologia e da Classificação de Diamantes. No nosso país tem desenvolvido trabalho extenso de identificação e classificação gemológica, em colaboração com museus públicos e privados e com a Igreja, associando-se a vários projectos de inventário, nomeadamente nas dioceses de Beja e Évora.

Autor de obras de referência, desempenha as funções de editor de “Portugal Gemas”, revista digital de gemas e joalharia. É colaborador de associações nacionais do sector da ourivesaria, nas áreas da formação gemológica, e lecciona módulos temáticos em diversas instituições de ensino, nomeadamente a Universidade Católica (Porto) e o Ar.Co (Lisboa). Desenvolve também actividade lectiva e de divulgação gemológica no Brasil e em Moçambique.
INVENIRE:
Revista de Bens Culturais da Igreja




Nº 1 apresentado em Lisboa no dia 6 de Outubro



Será apresentada no próximo dia 6 de Outubro, no Museu Nacional de Arte Antiga, pelas 18.00 horas, a revista INVENIRE: Revista de Bens Culturais da Igreja. Incidindo nas diversas áreas de actuação do sector, esta nova publicação, da responsabilidade do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja, organismo da Conferência Episcopal Portuguesa, pretende ser mais um meio de divulgação, valorização e estudo do vasto património histórico e artístico nacional.

Apostando na qualidade gráfica e de conteúdos, este número inicial abre com uma secção de investigação, com ensaios de Carlos A. Moreira Azevedo e Nuno Resende, a que se segue um Portfolio sobre marfins, escolhidos por Carla Alferes Pinto. Em destaque, apresenta-se ainda um conjunto de obras de vários pontos do país, analisadas por diversos especialistas e investigadores nacionais. O projecto "Rota das Catedrais", será abordado em caderno temático, no qual se destaca a entrevista ao Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle. Rui Vieira Nery inaugura o espaço de opinião da revista, com o artigo “Salvar o património de música sacra portuguesa”. A fechar a edição, uma selecção de livros e a agenda de eventos.



Índice N.º 1

INVENIRE

Revista de Bens Culturais da Igreja



Editorial

INVESTIGAÇÃO
São Paulo na Arte Portuguesa - Carlos A. Moreira Azevedo
O Discurso do Tempo: para uma releitura das Memórias Paroquiais de 1758 - Nuno Resende

PORTFOLIO - Patriarcado de Lisboa
Marfins, A escolha de Carla Alferes Pinto

OBRAS EM DESTAQUE
Colecção têxtil do Tesouro-Museu da Sé de Braga - Fernanda Barbosa
Pintura mural da Capela de São Marcos de Fonte Arcadinha - Maria de Fátima Eusébio
Um projecto-piloto de salvaguarda: a igreja de Nossa Senhora da Piedade de Santarém e a arte ao serviço do seu orago - Eva Raquel Neves
Compromisso dos Pescadores e Mareantes do Alto da Confraria, e Irmandade do Espírito Sancto - Ricardo Aniceto
Do Paço Patriarcal aos Palácios Nacionais: transferência das obras de escultura dos jardins de S. Vicente de Fora - Sandra Costa Saldanha
Variações para uma Ceia: A Última Ceia de Cirillo V. Machado para S. Sebastião da Pedreira - Nuno Saldanha
Um «Aeolian Orchestrelle» em São Salvador de Elvas - Artur Goulart de Melo Borges

CADERNO - Rota das Catedrais
As intervenções arquitectónicas: rumos e perspectivas - José Fernando Canas
Impacto Cultural: a Rota no contexto das dinâmicas nacionais - Marco Daniel Duarte
Reportagem: Um ponto de situação nas dioceses - Rui Almeida
Entrevista: Elísio Summavielle, Secretário de Estado da Cultura - António Marujo
A Rota na perspectiva de… - Dália Paulo e António Pedro Pita
Paralelismos de Sucesso:
Rota do Românico: Uma experiência fundada na História - Rosário Correia Machado
Rota do Fresco: A democratização do património - Catarina Valença Gonçalves

OPINIÃO
Salvar o património de música sacra portuguesa - Rui Vieira Nery

Livros
Agenda


FALECEU MATILDE ROSA ARAÚJO

A escritora Matilde Rosa Araújo morreu hoje de madrugada, em casa, em Lisboa, aos 89 anos, disse à agência Lusa fonte da família.
Nascida em Lisboa em 1921, Matilde Rosa Araújo licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, e foi professora do ensino técnico profissional em várias cidades do país. Foi também professora do primeiro curso de Literatura para a Infância, na Escola do Magistério Primário de Lisboa. Foi autora de livros de contos e poesia para adultos e de mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças - como O Sol e o Menino dos Pés Frios, História de uma Flor e O Reino das Sete Pontas. Dedicou-se intensamente à defesa dos direitos das crianças através da publicação de livros e de intervenções em organismos com actividade nesta área, como a UNICEF em Portugal.
De acordo com fonte da Editorial Caminho, o corpo de Matilde Rosa Araújo será velado hoje na sede da Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa.

(A seu tempo darei o meu testemunho sobre a escritora com que tive o privilégio de privar. Paz à sua alma!)

INSTRUMENTOS EM LISBOA



A apresentação de Instrumentos de Sopro ontem, 1 de Junho, em Lisboa, foi (quanto a mim) muito interessante. Não pelo "pretexto", mas pelo "texto" que fez nascer. Tanto quanto a minha memória alcança, nunca numa sessão nascida de um livro meu se dialogou tanto e tão profundamente sobre a Arte, a Poesia e a Poética.
O pintor e poeta Fernando Aguiar apresentou uma leitura simples, mas atenta, do livro - realçando dois dos seus pilares: a memória e a visualidade. 
No que respeita às minhas palavras, fiz questão de realçar que esta colectânea representa destruindo a representação, narra demolindo a narração (como acontece, aliás, noutros livros meus).
Lembrando A Capital, de Eça de Queirós, sublinhei a sua actualidade como crónica do meio literário português do nosso tempo, onde pontificam Romas e mais Romas que vão obrigando tantos Curvelos à desistência. No momento em que vivemos, a vitalidade artística precisa contudo de quem lhes resista e vá persistindo num caminho doloroso e paciente, contra-cultural. Explicando o significado do título Instrumentos de Sopro (expressão de matérias e anti-matérias que insuflam/insuflaram vida na existência), manifestei a minha convicção na existência de dois campeonatos, inconciliáveis, na produção artística contemporânea: de um lado, o campeonato da notoriedade pública; do outro, aquele que é jogado por quantos tentam servir a Arte, humildemente (isto é, ligados à húmus, à fertilidade), sem esperarem prebendas nem passeios pagos.
No seguimento dessas intervenções, estabeleceu-se um período de debate muito participado, no qual intervieram nomeadamente José Carlos Marques (editor do livro), Levi Condinho, Manuel Herculano (da Associação Sebastião da Gama), Joaquim Cardoso Dias e Rui Almeida, para além dos supracitados. Questionou-se a estética contemporânea, sobretudo o seu anacronismo e sua miopia histórica, que todos os dias afirma inventar a roda, quando ela já foi inventada há tantos milénios. Abordou-se ainda a importância da poesia experimental e do seu contributo para o refrescamento da poesia portuguesa - que tanto necessita de ser posta em causa, ou seja, que tanto precisa da incerteza, para não continuar a fazer a tal roda quadrada.

(Como apontamento final, gostaria de agradecer a gentiliza da gerência do ginásio Body Plaza, que criou todas as condições para um acontecimento digno. Agradeço ainda ao poeta Joaquim Cardoso Dias a captação de imagens para memória futura.)


POEMAS DA MONTANHA
de Frei Agostinho da Cruz



Fosse Portugal um país com consciência  e dignidade cultural - e a publicação de uma antologia do poeta Frei Agostinho da Cruz seria um acontecimento relevante. Jacobinos e incultos como vamos sendo cada vez mais, ignoramos (ou fazemos por ignorar) tudo quanto não entre no campo da celebridade bacoca ou influente. Por isso participei - como quem praticou um acto de justiça - na apresentação de Poemas da Montanha, publicado pelas Edições Serra d' Ossa. Um caminho para me encontrar com um dos mais significativos poetas de língua portuguesa.
INSTRUMENTOS DE SOPRO
Apresentação na Biblioteca da Escola Básica de Azeitão


Aceitei com relutância inicial o convite da directora da Biblioteca Escolar para apresentar o meu novo livro no lugar onde trabalho. Ao longo destes anos de existência poética (não de "vida literária"), se nunca quis separar desta actividade paralela as pessoas que todos os dias me acompanham na minha actividade docente, tentei sempre distinguir os dois mundos, o do ganha-pão daquele a que sou interiormente obrigado (o da escrita). Apenas pudor? Talvez.



A sessão decorreu, contudo, com uma dignidade ímpar. Todos os momentos acontecidos nesse 22 de Abril de 2010, vésperas do Dia Mundial do Livro, foram vividos de modo a ficarem na memória. Desde as intervenções das escritoras/colegas Teresa Martinho Marques e Teresa Lobato aos acordes à viola do Vasco e do Tiago, passando pelas palavras da Luísa Marques (directora da BE) e da Clara Félix (directora do Agrupamento de Escolas) e pela presença de alunos, encarregados de educação, colegas e amigos, alguns vindos de longe.




Na minha intervenção tentei sublinhar que Instrumentos de Sopro - sendo a reedição aumentada de um livro publicado em Espanha - é, sobretudo, a manifestação de diversos caminhos materiais que me levaram ao encontro do sopro (jubiloso ou doloroso) que transforma a existência em Vida. Aproveitei ainda para homenagear discretamente os poetas da terra, Frei Agostinho da Cruz e Sebastião da Gama, transmitindo aos presentes a minha convicção de que, mais importante do que escrever, o segredo está numa leitura constante e atenta dos outros.





INSTRUMENTOS DE SOPRO



 

Acaba de ser publicado nas edições Sempre-em-Pé, sediadas em Águas Santas (Maia) e responsáveis pela revista de poesia DiVersos, o novo livro de Ruy Ventura, intitulado Instrumentos de Sopro. Esta colectânea de poesia do autor de Chave de Ignição está integrada na colecção UniVersos, contando com um prefácio do poeta brasileiro C. Ronald e com uma capa criada a partir de um óleo do pintor Nuno de Matos Duarte.

O livro agora publicado nasce da colectânea intitulada El lugar, la imagen, editada em Espanha pela Editora Regional da Extremadura no ano 2006, com tradução para castelhano de Antonio Sáez Delgado. Os poemas aí incluídos fazem agora parte da segunda secção do livro, que surge ladeada por mais dois volantes, um prólogo e um epílogo.



*



Antes do texto, existe por vezes um pretexto. No texto nada existe, contudo, para além do verbo, do sentido que ele multiplica infinitamente, em autonomia ou total independência. Mas, se um objecto artístico rapidamente se separa da alavanca que lhe deu origem, dificilmente pode esquecê-la. Não sendo tópicos ou ecfrásticos os textos publicados neste livro, Ruy Ventura não esconde os elementos materiais (povoações, lugares, casas, igrejas, castelos, sítios e achados arqueológicos, esculturas e pinturas) que convulsionaram as palavras, obrigando-as a organizarem-se numa estrutura rítmica, semântica e simbólica tornada poema.

Segunda afirma na nota final do livro, os poemas da primeira parte não existiriam sem Portalegre, Nazaré, Carriagem, Dargilan, Montpellier-le-Vieux, Baságueda, a serra da Gardunha, a serra da Malcata, Carrazedo de Montenegro, Meimoa, Britiande, Lisboa (estação de Sete Rios), a serra de Castelo de Vide depois de um incêndio, uma barragem perto de Penamacor e o vale do rio Tejo, entre Amieira e as Portas do Ródão.

Instrumentos de sopro do painel central deste livro foram, de algum modo, várias esculturas marianas existentes em Portalegre, Bordeira, Guadalupe e Carrapateira, bem como uma moeda romana encontrada em Carreiras (Portalegre), a estela de Lutatia Lupata (Museu de Arte Romana, Mérida), a escultura “D. Sebastião” de João Cutileiro (Lagos), uma casa em Arronches, os alabastros de Nothingham (Museu de Arte Antiga, Lisboa), a catedral de Santiago de Compostela, a fortificação de La Couvertoirade, o “Poço d’ El-Rei” (Penamacor), o castelo e capela românica de Monsanto da Beira (Idanha), um presépio efémero (Carreiras), o castelo e judiaria de Valencia de Alcántara, a casa de José Régio (antiga igreja de S. Brás, Portalegre), uma “Santíssima Trindade” (Bemposta, Penamacor), o forte de Santa Maria (Portinho da Arrábida, Azeitão), o lugar onde terá existido o castelo de Carreiras, a torre-mirante das Jerónimas (Trujillo), o castelo de Sesimbra, o “Mártir Santo” velho da igreja de Carreiras, a anta do Patalim (entre Montemor-o-Novo e Évora), a igreja de Notre-Dame de l’ Espinasse (Millau), o “ribat” da Arrifana (Aljezur), uma escultura mutilada da igreja de São Pedro de Pomares (Beja), a igreja profanada de São Julião (Lisboa), a igreja incendiada de São Domingos (Lisboa), a torre de Saint-Jacques (Paris), uma pia baptismal hoje transformada em bebedouro (Carreiras) e as esculturas de José Aurélio intituladas “Pás de Vento, Ventos de Paz”, vistas em Almada.

Na terceira parte, são – segundo afirma – fragmentos de um retábulo interminável e infinito um óleo carreirense de Maria Lucília Moita, um “São Miguel salvando as almas do Purgatório” existente na igreja de São Sebastião de Carreiras, um carvão de João Salvador Martins, duas pinturas de Nicolau Saião, o “Ecce Homo” de um anónimo flamengo (Museu de Arte Antiga, Lisboa), “O Parlamento, trespassado pelo sol no nevoeiro” de Claude Monet, as pinturas de Francisco de Zurbarán que envolvem a sacristia do mosteiro de Guadalupe, uma fotografia de Diogo Pimentão, “WTC” de Jorge Martins e algumas aguarelas de Julio.

O subtítulo de Instrumentos de Sopro, “[inscapes]”, é uma homenagem ao poeta britânico Gerard Manley Hopkins. O livro é dedicado a Fernando Guerreiro e aos poetas espanhóis Álvaro Valverde, Antonio Reseco e José María Cumbreño.
DIVINA MÚSICA

Chegou há poucos dias há minha caixa de correio a antologia Divina Música – Antologia de Poesia sobre Música, uma edição comemorativa do 25.º Aniversário do Conservatório Regional de Música de Viseu, organizada por Amadeu Baptista.

Nela podem ser lidos poemas de Adalberto Alves, Affonso Romano de Sant’Ana, Albano Martins, Alexandra Malheiro, Alexandre Vargas, Alexei Bueno, Amadeu Baptista, Ana Hatherly, Ana Luísa Amaral, Ana Mafalda Leite, Ana Marques Gastão, Ana Salomé, Ana Sousa, António Brasileiro, António Cabrita, António Cândido Franco, António Ferra, António Gregório, António José Queirós, António Osório, António Rebordão Navarro, António Salvado, Artur Aleixo, Bruno Béu, C. Ronald, Camilo Mota, Carlos Felipe Moisés, Carlos Garcia de Castro, Casimiro de Brito, Cláudio Daniel, Cristina Carvalho, Daniel Abrunheiro, Daniel Maia-Pinto Rodrigues, Danny Spínola, Davi Reis, Donizete Galvão, E.M. de Melo e Castro, Edimilson de Almeida Pereira, Eduardo Bettencourt Pinto, Eduíno de Jesus, Ernesto Rodrigues, Eunice Arruda, Fernando de Castro Branco, Fernando Echevarría, Fernando Esteves Pinto, Fernando Fábio Fiorese Furtado, Fernando Grade, Fernando Guimarães, Fernando Pinto do Amaral, Francisco Curate, Gonçalo Salvado, Graça Magalhães, Graça Pires, Henrique Manuel Bento Fialho, Hugo Milhanas Machado, Iacyr Anderson Freitas, Inês Lourenço, Isabel Cristina Pires, Jaime Rocha, Joaquim Cardoso Dias, João Aparício, João Camilo, João Candeias, João Manuel Ribeiro, João Moita, João Rasteiro, João Rios, João Rui de Sousa, João Tala, Joaquim Feio, Jorge Arrimar, Jorge Reis-Sá, Jorge Velhote, José Agostinho Baptista, José Carlos Barros, José do Carmo Francisco, José Luís Mendonça, José Luís Peixoto, José Manuel Vasconcelos, José Mário Silva, José Miguel Silva, José Tolentino de Mendonça, Júlio Polidoro, Levi Condinho, Luís Amorim de Sousa, Luís Filipe Cristóvão, Luís Quintais, Luís Soares Barbosa, manuel a. domingos, Margarida Vale de Gato, Maria Andersen, Maria Estela Guedes, Maria João Reynaud, Maria Teresa Horta, Miguel-Manso, Miguel Martins, Myriam Jubilot de Carvalho, Nicolau Saião, Nuno Dempster, Nuno Júdice, Nuno Rebocho, Ondjaki, Ozias Filho, Patrícia Tenório, Paula Cristina Costa, Paulo Ramalho, Paulo Tavares, Prisca Agustoni, Risoleta Pinto Pedro, Roberval Alves Pereira, Rosa Alice Branco, Rui Almeida, Rui Caeiro, Rui Coias, Rui Costa, Ruy Ventura, Sara Canelhas, Soledade Santos, Teresa Tudela, Torquato da Luz, Urbano Bettencourt, Vasco Graça Moura, Vera Lúcia de Oliveira, Vergílio Alberto Vieira, Victor Oliveira Mateus, Virgílio de Lemos, Vítor Nogueira, Vítor Oliveira Jorge, Yvette K. Centeno, Zetho Cunha Gonçalves.
Há no volume poemas que gostei muito de ler, como por exemplo os assinados por C. Ronald, Carlos Felipe Moisés, Carlos Garcia de Castro, Edimilson de Almeida Pereira, Echevarría, Fiorese Furtado, Iacyr Anderson Freitas, Joaquim Cardoso Dias, João Camilo, José Carlos Barros, José Mário Silva, Luís Quintais, Luís Soares Barbosa, Maria Andersen, N. Saião, Nuno Dempster e Rui Almeida. De outros, nem tanto, sou sincero. (Continuo a não perceber como pôde ficar à porta um poeta da craveira de Wilmar Silva - mas Amadeu lá conhecerá as suas mais íntimas razões). Pessoalmente, assino por lá um poema dedicado a Bach, numa versão que os últimos tempos se encarregaram já de modificar.




As palavras em jogo
pelo seu autor, José do Carmo Francisco




Está quase a chegar às livrarias este livro de 220 páginas que recupera do pó do relativo esquecimento 30 entrevistas e 1 memória, lembrando deste modo 30 anos de jornalismo. No universo multifacetado dos entrevistados há um abrangente olhar sobre o Desporto e a Sociedade: Álvaro Cunhal, Américo Guerreiro de Sousa, António Alçada Baptista, António Roquete, Carlos Mendes, Clara Pinto Correia, Daniel Sampaio, David Mourão-Ferreira, Dinis Machado, E.M. Melo e Castro, Eduardo Guerra Carneiro, Eduardo Nery, Fausto, Francisco dos Santos, Francisco José Viegas, Helena Marques, Joaquim Pessoa, José Duarte, José Fernandes Fafe, José Manuel Mendes, José Nuno Martins, José Quitério, Lídia Jorge, Luís Filipe Maçarico, Mário Jorge, Matos Maia, Mia Couto, Nicolau Saião, Rita Ferro, Romeu Correia e Urbano Tavares Rodrigues.

As entrevistas e a memória de Francisco dos Santos (1878-1930), o primeiro português a jogar em Itália, foram publicadas entre 1992 e 1996 na revista Bola Magazine que entretanto cessou publicação. Algumas delas foram mais sintéticas devido à falta de espaço mas todas apresentam o interesse do depoimento das diversas figuras públicas sobre a sua relação com o Desporto. Apenas dois aspectos: primeiro – algumas delas trazem anexos em verso e em prosa do entrevistado que muito enriquecem o conteúdo final; segundo – a partir destes textos é possível organizar um perfil do futebol em Portugal no século XX desde a memória de Francisco dos Santos em Roma na primeira década ao Eusébio da década de setenta aqui recordado por José Duarte passando pelo Mário Jorge dos anos oitenta e sem esquecer António Roquete que jogou nas década de vinte e de trinta além de Francisco José Viegas que recorda Madjer e Dinis Machado que lembra nomes dos anos 40, 50 e 60 como Araújo, Passos, Jesus Correia, Arsénio, Vasques, Travassos, Germano, Matateu, Jaime Graça, Hernâni, Águas, Humberto Coelho, Ian Rush, Yazalde, Carlos Gomes, Azevedo, Bento, Banks, Yashine, um nunca acabar de homens, de memórias e de mitos. Sem esquecer as motos de Eduardo Guerra Carneiro e as bicicletas de Lídia Jorge.



INSTRUMENTOS DE SOPRO

A edição de Instrumentos de Sopro na colecção UniVersos, das Edições Sempre-em-Pé, está bem encaminhada. Posso desde já avançar que a ilustração apresentada - "Vislumbre 13", óleo sobre tela (60x70) da autoria de Nuno de Matos Duarte - constará na capa desta colectânea de poemas. O prefácio será assinado pelo poeta brasileiro C. Ronald.
Lembro que este novo livro será a edição revista e muito aumentada de El lugar, la imagen, publicado em 2006 na Editora Regional de Extremadura, em Espanha.

CUMBREÑO EM LISBOA

Ocorreu ontem, na sede do Instituto Cervantes em Lisboa, o lançamento de Teorias da Ordem, do poeta espanhol José María Cumbreño, obra editada pelas edições Sempre-em-Pé, com tradução minha para a língua portuguesa. Foram momentos de grande interesse, compartilhados com a apresentação de um livro de Casimiro de Brito, a partir de intervenção de Ángel Guinda.
Entre as palavras que proferi, já como leitor da antologia, talvez sejam uma síntese aceitável aquelas com que terminei:

"Nascido em 1972 na cidade de Cáceres, onde ainda hoje reside, com textos espalhados por várias revistas e poesia (em verso ou em prosa) publicada em livros como Las ciudades de la llanura (2000), Árboles sin sombra (2003), De los espacios cerrados (2006), Estrategias y métodos para la composición de rompecabezas (2008) e Diccionario de dudas (2009) ou na antologia Teorias da Ordem (2009), José María Cumbreño é uma das vozes que mais me interessam na poesia espanhola dos nossos dias. Feita de fragmentos de seres, de espaços e de memórias, que se combinam de forma por vezes inusitada, sem esconder o seu carácter de estilhaços e de escombros provenientes de uma catástrofe verbal, logo existencial, a sua poesia interpela-nos e inquieta-nos com uma ironia discreta, matizada pela nostalgia de quem vê o mundo por um espelho retrovisor. Porque, num mundo como o nosso, é preciso ter a coragem de “Beber de um copo partido. / Acalmar a sede, mesmo com o risco de conhecer a ferida”. Porque, mais tarde ou mais cedo, os estilhaços provocados pela catástrofe chegarão ao coração."


[Da esquerda para a direita: RV, José María Cumbreño, Casimiro de Brito, Ángel Guinda e José Carlos Marques.]

CONVITE

Lançamento de livros
de José María Cumbreño
e Casimiro de Brito


Quarta-feira, 11 de Novembro, às 18:15, no auditório do Instituto Cervantes de Lisboa (Rua de Santa Marta, 43), será feita uma apresentação de dois livros de poesia bilingues.

Um deles, editado pelas Edições Sempre-em-Pé, intitula-se TEORIAS DA ORDEM, sendo o autor José María Cumbreño, que reside em Cáceres, Extremadura. A apresentação será feita por Ruy Ventura, que traduziu para português o original castelhano.

Será igualmente apresentado pelo Poeta espanhol Ángel Guinda um livro de poemas de Casimiro de Brito, também em versão bilingue, em que o texto original português é acompanhado de tradução em espanhol.

Estarão igualmente presentes os autores, José Maria Cumbreño e Casimiro de Brito.
A sessão é organizada por Edições Sempre-em-Pé e pelo Instituto Cervantes de Lisboa.
Agradecemos o seu interesse e a sua presença, bem como a eventual divulgação.


Edições Sempre-em-Pé

http://www.sempreempe.pt/

Revista Confraria chega a Portugal


Periódico binacional oferece um amplo e irreverente panorama da arte, literatura e reflexão crítica contemporâneas.
Após quatro anos de contribuição para a literatura e crítica de língua portuguesa, com um formato online de prestígio internacional e mais de cinco milhões de acessos, a Revista Confraria converte-se numa edição impressa bimestral, editada simultaneamente no Rio de Janeiro e em Lisboa e com contribuições regulares de autores brasileiros e portugueses.

Após o lançamento no Brasil no passado dia 14 de Setembro, o número inaugural da Confraria chega finalmente a Portugal, numa distribuição que procurará chegar a número crescente de bancas e livrarias. Para além de dossiês sobre vanguardas internacionais, perfis de autores menos conhecidos e entrevistas, a revista oferece também textos críticos, filosóficos, contos e poesia, sendo cada edição ilustrada por um artista plástico convidado. Adicionalmente, a revista conta com um conjunto de colunistas fixos de importante projecção, entre eles Luiz Costa Lima, Silviano Santiago, Gonçalo M. Tavares, Carlos Felipe Moisés, Clóvis Bulcão e valter hugo mãe. Neste primeiro número o leitor pode encontrar, entre outras pérolas, material inédito de Arnaldo Antunes, Gonzalo Rojas, Maria do Rosário Pedreira, Octávio Paz, Raimundo Carrero e E.M. de Melo e Castro.Em Portugal, a Revista Confraria é coordenada por João Miguel Henriques (para qualquer contacto editorial ou pedido de encomenda escrever para: joao@confrariadovento.com).

O primeiro número encontra-se já à venda nas seguintes livrarias de Lisboa (com a certeza de que muito em breve estará também disponível nas cidades do Porto e Coimbra): Poesia Incompleta (R. Cecílio de Sousa) Trama (R. São Filipe Nery) Letra Livre (Calçada do Combro) Pó dos Livros (Av. Marquês de Tomar)