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"São Sebastião"
Gravura existente no espólio da Biblioteca Nacional de Lisboa que deu origem à pintura a óleo existente num altar lateral da igreja matriz de Aljezur.

[699466]

[SAO SEBASTIAO]
[São Sebastião] [Visual gráfico. - [S.l. : s.n., entre 1650 e 1750?]. - 1 gravura : buril e água-forte. - Data provável baseada em características formais. - Dim. da comp.: 40,5x27,5 cm
CDU 248.159Sebastião, Santo(084.1) 762(=1.4)"16/17"(084.1)
http://purl.pt/5191/1/
CIURLIONIS

É um dos pintores cuja contemplação sempre me recompensa.
Sobre Ciurlionis há boas informações aqui: http://ciurlionis.licejus.lt/index_en.html














DESEJO A TODOS QUANTOS ME LEREM UM ANO 2010 CHEIO DE ESPERANÇA.


NA IMAGEM: pintura mural existente no coro baixo da igreja do convento da Saudação, em Montemor-o-Novo (fotografia de Patrícia Monteiro).
Castelo de Vide, igreja do Salvador do Mundo:
"Fuga para o Egipto"
Gabriel del Barco
Basta estarmos atentos. Encontraremos sempre o caminho, a linha de fuga deste mundo e o nosso Egipto (seja lá onde for) como destino. A salvação chegará. Desejo um Natal muito feliz a todos os quantos visitam e lêem este espaço.

Convite para a exposição
e reprodução do quadro de João Filipe Bugalho aí apresentado.
É conveniente carregar nas imagens para ampliar.

Considero este quadro de Nuno de Matos Duarte uma das melhores interpretações da poesia que tenho escrito. Será, dentro de três ou quatro semanas, o centro da capa do meu próximo livro de poemas, intitulado Chave de Ignição.

Artigo de Patrícia Monteiro
sobre pinturas murais da Idade Média
encontradas no castelo de Amieira do Tejo (Nisa)
pode ser lido aqui.




Estes são aspectos das pinturas murais descobertas recentemente no tecto de uma capela da igreja matriz de Arronches. Outras imagens e um estudo sobre elas, da autoria de Patrícia Monteiro e de Maria João Cruz, podem ser vistos e lidos no Arquivo do Norte Alentejano.


João Filipe Bugalho
(texto e pintura)


FRONTEIRA E MEMÓRIA


Sever, fronteira da minha memória.
Rio que separa e une duas margens.
Eterno contrabandista.
Tranquilo, bravo, solitário, na paisagem dura de xisto, quase deshabitada.
Rio que seca e deixa apenas pegos onde se retempera e refresca a bicharada.
Sombras sadias de amieiros e choupos, seixos soltos, margens tranquilas.
Memórias das tardes quentes que refrescávamos com uma talhada de melancia, sob o laranja intenso do antepôr do sol.
Com pó e suor na pele mas uma sensação quente de bem estar, sensual, inesquecível.
Ainda hoje revisitada.
Como o canto apelativo dos abelharucos, voando por cima.
Luz do fim da tarde que foi abrazadora,
luz inseparável dos sons vagos dos chocalhos de um rebanho quase perdido na distância.
Bravura agreste do rio, correndo no próprio leito de pedra, por si talhada.
Silêncio estival, apenas rasgado pelo vôo azul do guarda-rios,
de onde em quando pontuado pelo triste e escasso piar da cotovia.
Peso do calor que nos faz buscar a quietude e o silêncio na protecção da sombra.
Que acalma.
Mas que nos fórça a contemplar.
A sentirmo-nos ínfimos na imensidão do espaço.
Serras distantes, onde se espraiam laivos laranja-azulados de poentes que fazem ressaltar os brancos casarios.



Austeros. Às vezes sós, sombrios.
Mas que, uma vez dentro, se nos revelam e nos acolhem.
Que nos desvendam, nos recantos e nos pátios, os seus mais antigos e íntimos segredos. Até mesmo as suas gentes.
Envoltos em planuras infindas, cortadas por escassas rectas de muros,
intermináveis...
Vagamente cobertas de restolho amarelecido, queimado pelo Sol.
Ou alqueives, de pó vermelho e sêco, tingindo o horizonte.
Com danças de sobreiros sobre a paisagem.
Ou linhas e linhas de colinas sedentas, como corpos de mulher.
Céus sempre diferentes, carregados de imagens ditadas por nuvens,
imparáveis,
brancas, sépias, às vezes cinzento-chumbo quase negras,
de ameaçadoras trovoadas.
Além dos infinitos espaços, apenas a ímpar, indescritível, solidão da azinheira.
Cujo tronco, revelando a cicatriz do tempo, é a própria resistência.
A vida.
Sever memória, fronteira, esperança.
Sever, de contrabando e de partida.




O texto fez parte do catálogo da exposição de 30 telas, inspiradas em “paisagens comuns de ambos os lados do Sever”, apresentada no Museo Provincial de Cáceres em 23 de Novembro de 2007.

DESEJO A TODOS OS LEITORES E AMIGOS

DO ESTRADA DO ALICERCE

UM SANTO NATAL CHEIO DE FELICIDADE.

E QUE 2009 NOS TRAGA A TODOS A ESPERANÇA

QUE PARECE ESTAR EM EROSÃO.

JULES MOROT

(tradução e ilustração de Nicolau Saião)



O luto, a alegria


Os amigos que estão
no seu pé de página
como em caixão florido
pelos tempos futuros
têm de nós o gesto mais perfeito -

um sorriso transido mas mesmo assim
verdadeiro
e muitas mãos para afagar lembranças
e muitos dentes luzindo para criar o verão
e muitos olhos em repouso para dizer que é tarde

e muitos gritos para dizer que é cedo
e que é a hora de acordar
e de dormir porventura
e de bailar entre as árvores
e de correr entre as sombras
e a luz que elas provocam
e de sofrer um pouco
um pouco ainda
como crianças sem remorso sem dor sem amargura
de novo em viagem

sem efígie sonhada
e já desaparecida.

in “Le mardi-gras”
(Original em linha no
TriploV)

Nicolau Saião


SOBRE CRISTOVAM

Dizia o célebre inquisidor-mor de Richelieu, com um cinismo não isento de senso de humor, “Dai-me uma frase qualquer e conseguirei que ela ponha um baraço ao pescoço do seu autor”. E embora se trate aqui de poesia e de um poeta, talvez faça sentido suspender a respiração por uns segundos.
Porque, com efeito, a poesia é um perigoso ofício. E se não pelas partes de fora, pelo menos pelas partes de dentro.
Será verdade que os poetas são sobreviventes? Talvez sejam - sobreviventes do tal lugar onde se acoita a verdadeira vida a que aludia, entre outros, o sobrevivente de Charleville (Rimbaud). A poesia será também, assim, uma certa arte das retiradas, a forma mais pessoal de combater a adversidade. Quem diz pessoal diz eficaz. Eficaz, na verdade, porque nisto de coisas de dentro temos de nos haver com presenças muito mais perigosas que os habituais fantasmas do quotidiano. Daí que, por vezes, como (não) queria Cristovam Pavia, só possa haver “saída pelo fundo”. Pelo fundo, pelo meio, por cima, em suma e afinal: pelo lugar onde, no encalço de Flamel, “os touros encantados que deitam fumo e fogo pelas narinas” encontram finalmente a brancura da verdade perseguida.
De Cristovam sei muito pouco. Quer dizer, talvez saiba relativamente muito – porque vou a ele inteiramente pelo coração. Como fascinado leitor, primeiro, de uns raros poemas inseridos numa pequena antologia algo precária e, depois, dum livro muito pundonorosamente feito, com os seus poemas completos - publicados, esparsos e inéditos – que li inteirinha num pedaço de tarde de verão, sentado sob uma das nogueiras citadinas em frente do edifício barroco do antigo Hospital da Misericórdia portalegrense.
Cristovam falava (fala) de pequenas coisas, o que é indício de que o fazia de grandes coisas: da morte do seu cão, da luz difusa batendo na parede da casa da velha quinta alentejana dos ancestros, da recordação que sua mãe teria na noite do seu hipotético e afinal sucedido funeral. Coisas assim leves para quem julga que o poeta é uma espécie de artilharia pesada.
E porque o tom em que o fazia é dos mais belos (e estou a lembrar-me da emoção em Rilke, em Hesse, mas também em Marie-Noel), há-de encontrar sempre quem através dele possa olhar as tardes de negrume e, simultaneamente, de inteira claridade onde se vão reflectindo ora um rosto, ora um ombro, ora uma mão escapando ao nevoeiro...

Se penso mais que um momento


Se penso mais que um momento
Na vida que eis a passar,
Sou para o meu pensamento
Um cadáver a esperar.

Dentro em breve (poucos anos
É quanto vive quem vive),
Eu, anseios e enganos,
Eu, quanto tive ou não tive,

Deixarei de ser visível
Na terra onde dá o Sol,
E, ou desfeito e insensível,
Ou ébrio de outro arrebol,

Terei perdido, suponho,
O contacto quente e humano
Com a terra, com o sonho,
Com mês a mês e ano a ano.

Por mais que o Sol doire a face
Dos dias, o espaço mudo
Lembra-nos que isso é disfarce
E que é a noite que é tudo.

(Poema de Fernando Pessoa c/ pintura de Maria Helena Vieira da Silva - no dia do seu aniversário.)

O cinismo como último recurso contra a arte


O universo da criação artística não é definido somente por seus períodos de vanguarda. Ali atuam também aspectos como confirmações, vencimentos e diluições. Este último aspecto resulta de maior perigo, porque em seu nome se concentram os falsos testemunhos, que em muitos casos não se restringem a simples questão de ingenuidade ou falta de talento. O grau de perversão instituído pelas relações comerciais no que respeita à produção artística trouxe uma conotação programática para este precioso aspecto: a diluição. Romances, filmes, telas, canções, poemas escondem, por trás de sua aparente fragilidade estética, todo um sistema de facilidades contratuais, difusão e consumo. Em meio a este bem sucedido empreendimento, baseado nas leis do mais austero imediatismo, já ninguém dá pela conta dos prejuízos culturais que tais ações possam acumular em sua trajetória.


Assim se inicia o editorial do mais recente número da Agulha. Mais uma vez, merece toda a nossa atenção. Entre os motivos de interesse, destaco um artigo sobre Fernando Echevarría, outro sobre Raul Proença e Florbela Espanca e as ilustrações de Mayte Bayon, apresentadas por Nicolau Saião.



Aguarelas como estas e muito mais
poderá ser encontrado
Nuno Matos Duarte.
Uma visita de que tiraremos sempre proveito.