
Palavras que chegam com o vento…
(texto de Nicolau Saião)
No século passado – tão perto…mas onde isso já vai! – André Breton e outros poetas deram a lume uma espécie de sondagem sobre o estado de vida sexual da rapaziada do seu tempo. Escusado será dizer que tal facto provocou uma bela ventania no país da pornográfica burguesia francesa. Habituados a bordéis (falemos claro: habituados a uma mentalidade em estilo “maison de dames”) a intelectualidade francesa mais engravatada ficou algo enxofrada devido à opinião do autor de “Claire de Terre”, que sem papas na língua afirmou: “Sonho com o seu encerramento. É um lugar de hipocrisia e submissão onde tudo se paga!”.
Daí para cá, a coisa incrementou-se: as casas de putas (vai à portuguesa, para ter um sabor mais adequadamente rasca, os leitores/as mais pudibundos que me perdoem) tornaram-se um dos negócios mais propiciados pelo capitalismo selvagem, que tudo vê pela óptica do lucro e cuja hipocrisia permite, por exemplo, que se marginalizem e persigam homossexuais ou outras pessoas de orientação sexual menos académica mas, por outro lado, se incentive o “amor” mercantilizado.
Então não se está na economia de mercado?
Junto se dá, com relativo divertimento, uma visão cristalina do ambiente que os surrealistas nunca se atreveram a imaginar – mesmo nos seus sonhos mais esvoaçantes…


