REVERTE


Ando a ler mais um volume de Arturo Pérez-Reverte, Con ánimo de ofender, que reúne artigos editados no El Semanal nos anos que estabeleceram a transição entre o século XX e o século XXI.
Ler os textos de opinião e de observação deste autor espanhol traz-me à memória uma força verbal que, em Portugal, só pode ser encontrada nas páginas de crónica assinadas por Fialho de Almeida ou por Camilo Castelo-Branco.
Nos últimos cem anos, tirando Luiz Pacheco e pouco mais (e mesmo assim...), nada surgiu de comparável. Nos nossos dias, então, não há testículos como os do criador de Alatriste - ou, se os há, estão devidamente ocultados, arredados da grande imprensa que lhes poderia dar justo eco alargado.
Na nossa "imprensa de referência", tanto quanto me parece, o que mais há são teclados com problemas de erecção e de coluna vertebral, ilusionistas de feira sem a menor dignidade, a soldo dos mais diversos interesses, mesmo quando parecem mostrar o contrário. Uns e outros, quando parecem escarrar nas fuças de quem merece, apenas dão beijinhos velados, não fique abalado o edifício do status quo, a que pertencem.
Ler algumas crónicas de Arturo Pérez-Reverte injecta-nos coragem. Obriga-nos a continuar a luta pela sobrevivência digna neste mundo de trampa. Não esqueçamos: aqui, onde vivemos, haverá sempre homúnculos à espera do momento exacto para proceder à nossa castração, seres que, discretamente, com diabólica rapidez e eficácia, procuram sodomizar a nossa verticalidade.

2 comentários:

Anónimo disse...

Conozco bien a Reverte. Incluso lo he visto en persona en la feria de Valladolid. Hombre cabal, coño.
Y que pluma!

Narciso Ibañez Prado

Maria Teresa Lopes disse...

Fico curiosa... Será que essa leitura nos traz outros ânimos? Bem precisamos...

Abraço