Que grande luz estarmos
vendo os troncos amar a ventania
e o inverno a ensombrecer o espaço
por onde se ilumina
a minúcia monacal dos ramos
nos diáfanos vidros da melancolia.
Que grande luz. Tudo é claro
porque quanto nos habita
é campo livre. Ou é campo
como o perímetro a recuar a fímbria
de ouro ou de obstáculo
que pudesse subsistir ainda.
Mas, sobretudo, que grande luz amarmos
tão fundo o espaço da melancolia.

FERNANDO ECHEVARRÍA
"Poesia, 1980-1984", Afrontamento

1 comentário:

ns disse...

Um óptimo começo - o que não me espanta - com o grande F.Echevarría e a não menos grande E.Dickinson, trazidos à colação pela serra da Arrábida, que foi também poiso e lugar de afecto profundo do excelente Sebastião da Gama que sempre nos envolve, sempre nos emociona.
That's the spirit, Ruy.