Marco Aqueiva


Alguns poemas


O REAL INIMIGO

Quanto cotidiano cabe em teu crânio?

À luz do dia – a superfície em destroços
cidade e as coisas feitas avançando
e à medida das cascas não bastam olhos

Quanto cotidiano cabe no homem
até os sonhos estalarem vazios por dentro?

De quanta grandeza um oco estalo sem onde
: violência sem contato e ocasião propícia



POEMA PORRADA

Os olhos antes da chegada do corpo
armam-se meticulosos e laterais
chegam de passagem fortemente
insatisfeitos

A sucata do corpo entre rugas e cosméticos
alonga-se aos olhos seviciados pelas pequenas
unhas comprimidas contra a própria mão fechada

O rosto vazio em cada gesto desses olhos
o tremor que desliza pelo corpo
breve tremor injetando-se em torno das unhas

E no meio da rua a mão
cirúrgica contra o real obrigatório e azul
esmurra o corpo que cruza sua trajetória
só de passagem


O ANTROPÓFAGO NAS LETRAS

O chão perco na releitura
um clarão me prolonga
até arder-me em chamas
é o texto me chamando
a esta paisagem urbana
a ponto de principiá-lo
como tua carne minha
me sabe sei que devora

5 comentários:

Anónimo disse...

Caro Ruy:

1) Agradeço-lhe a oportunidade de divulgação;
2) É fabuloso o que a web propicia: beiras, aproximações e às vezes boas amizades, como a que venho cultivando com Pedro Du Bois, que recentemente vc publicou;
3) Li pousos de si nos portos da web e gostei. Lendo mais, mais à frente comento;
4) Please, retifique: meu nome literário é MARCO AQUEIVA. O outro é o professor que assina.
Um forte abraço por sobre o Atlântico,
Marco.

Anónimo disse...

Bons poemas modernistas. Até o estilo brasileiro lhe dá uma graça muito própria.

ANA M.

Anónimo disse...

Caro Ruy:

diante dos elogios de Ana M., estou ansioso por saber quem é esta minha interlocutora...

Enlaces ainda mais jubilosos por sobre o Atlântico

do Marco Aqueiva.

Anónimo disse...

Sou do centro do país, professora, em Santarém. Mas como está o ensino dum momento para o outro mandam-me a outro lado qualquer, mas não me posso reformar senão era já.

ANA

Anónimo disse...

Ana, só agora pude retornar à página do Ruy.
Também sou professor, em Bragança Paulista, no Brasil.

Escreva-me: marcoaqueiva@yahoo.com.br

ou visite o projeto que coordeno

http://aqueiva.wordpress.com/