A CARNE E OS OSSOS


Há gente séria e bem intencionada no Governo. Apesar disto, o propósito da actual gerência parece ser acabar com a presença do Estado na Saúde, nos Serviços, na Educação e noutros domínios - ou, então, reduzi-la a mínimos inexpressivos, que deixam de servir para o estabelecimento de uma justiça social básica, mas para uma oferta pífia de caridadezinha laica. Desossar o esqueleto público, oferecer a carne aos que já têm o frigorífico cheio, lançar os ossos a uma matilha de pobres esfomeados...
Não há volta a dar à conversa. Passámos a viver sob a lei da selva, uma lei da selva que nos menoriza e irresponsabiliza, reduzidos à condição de bichos a viver num canil. Porque, não nos esqueçamos, quem come a carne não precisa de roer os ossos... E quem a come, para mal dos nossos pecados, não são os mais competentes ou os mais fortes, mas apenas aqueles que sabem lamber a mão do dono ou lhe oferecem (como gratificação antecipada, vulgo "suborno") o melhor coelho ou a mais gorda galinhola que conseguiram na caçada.

1 comentário:

Artur Anfelde disse...

Abaixo o regime, viva a monarquia democrática e constitucional, mas não desse pobre Duarte, especializado em conversas "republicanas".
O Cavaco está de resto, o Sócrates vai pela escada abaixo. Preparemos tudo para a monarquia, onde não têm lugar nem os jerónimos, nem os chicos blocados nem os pimbas.