MORTO, VIVO OU MORIBUNDO?

O crítico de arte João Pinharanda, no Milfolhas de sexta passada, declarou morto o surrealismo, considerando-o ainda moribundo naqueles que o reivindicam por razões históricas ou instrumento de oportunismo naqueles que o invocam quando lhes dá jeito.
Esqueceu, neste seu apressado atestado de óbito, que o surrealismo constitui uma ética e uma estética de transversalidade horizontal e vertical, sendo, por isso, escorregadio às tentativas académicas de catalogação que, no fundo, desejam mumificá-lo e torná-lo, assim, inofensivo para o status quo.
(Não escrevo, claro, sobre as palhaçadas de Dalí e de seus epígonos que, como referia Cesariny, tanto mal fizeram ao surrealismo...)

(Na imagem: um quadro do pintor surrealista João Garção.)

3 comentários:

Já Chega disse...

Pinharanda? Esse que diga o que quiser. Faz-me lembrar a tal célebre frase "deus está morto" e afinal o que morreu foi o que a disse.
Ainda me faz lembrar outra situação: apontar para um cão desses muito pequeninos, cheios de pelo e dizer: vê? Aquilo é que é um cão. E esquecer que há os terranova, os dálmatas, os cães-lobos, os serra da estrela, etc.
É como os cardeais que chatearam o Galileu.
Eppur si muove!

Zé Comeia disse...

É isso, meu. O surrealismo é a única corrente, não escola porque escola são as de condução e as escolas de enfermagem e outras como por exemplo as de design com muita gaja boa yeah, que afixa um espírito que não se fica pelo cinzento imobilista da literatice de cócoras. Influenciou o imaginário e influencia e está para as curvas, todas as curvas.
Não vale a pena perderem muito tempo com críticos sem obra, que apenas dão colunas nas folhas de couve e que dois anos depois de marcharem ninguém lembrará.
Façam é coisas, continuem a fazer coisas. Arrumem-nos.

Senhor Pinharanda disse...

Vão-se Foder!