EM RODAPÉ

A notícia passou no dia 20 em nota de rodapé. Após vários anos de morte cerebral, causada por uma doença degenerativa, Fiama descansou. Enquanto outros, independentemente da qualidade da sua obra, mereceram destaque mediático na hora da morte, mercê devida ao "teatro" que os rodeava, Fiama Hasse Pais Brandão - sendo igualmente um dos pilares da casa da nossa poesia contemporânea - foi remetida para o lugar dos poetas nesta sociedade portuguesa, o Hades-Paraíso da discrição, do apagamento, da irrelevância mercantilista. Não sei se me revolte se fique satisfeito. Elogios vindos de certa comunicação social e de certas bocas são mais mortíferos do que setas envenenadas.

2 comentários:

jcfrancisco disse...

A desgraça é maior e ultrapassa asnotas de rodapé. Um dia Fernando J.B.Martinho dava ao telefone para a LUSA uma notícia de prémios literário e disse «José Blanc de Portugal - Poesia», «Alexandre Cabral - Ensaio» e a jornalista pergfuntou «e esse senhor Cabral também não é de Portugal?» Está tudo dito.

Ruy Ventura disse...

É cómico se não fosse trágico. É como a história do Aquilino, ou melhor, Aklino...