ANO NOVO

Eis-nos entrados em 2008, com maior peso sobre os ossos e certamente menos ilusões. Nele ingressámos não com o pé direito (provocaria desequilíbrio), mas com os dois pés bem assentes na terra, que o tempo não está para brincadeiras.
O Presidente, com esperteza e sensibilidade - tentando levar-nos a esquecer os dez anos em que geriu o país -, alertou-nos para os problemas do Portugal dos nossos dias (mas haverá alguém que ainda não tenha dado por deles... mesmo aqueles que tentam tapar o sol com a peneira?): a erosão da exigência e da responsabilidade na Educação, o acentuar da desertificação humana dos meios rurais interiores e litorais por políticas desastradas ou mal-intencionadas, a quase-total descrença no sistema judicial, as falsas políticas de promoção da natalidade, o desemprego, o abismo entre ricos e pobres, etc., etc., etc.. São realidades que nenhuma propaganda irá esconder... Entretanto recebemos mensagens (sms) de amigos que nos escrevem de longe: a Ana, que partiu para Inglaterra; o André, que por lá anda; a Emília e o Vítor, que só na América viram o seu valor reconhecido; a Paula, que ficará pela Alemanha... Unamuno escreveria: "Que desgraçado país!"
Lá fora, assistimos com preocupação ao processo de instalação da anarquia no Paquistão, estratégia dos terroristas para melhor chegarem às armas atómicas com que querem ameaçar-nos e, quiçá, destruir-nos. Vemos, entretanto, como nuvem cinzenta a possível subida de um politicamente-correcto ao poder global - que nada resolverá, com grandes riscos para todos nós.
Apesar tudo, resta-nos a Esperança, a Esperança num Homem que saiba entender os sinais dos tempos, desvelar e acolher a Luz onde quer que ela se manifeste. Só a Esperança nos salvará! É neste princípio - acreditando nela - que vos desejo um 2008 muito feliz.

(Na imagem, uma foto de André Alface.)

8 comentários:

Mena Pardal disse...

Sim... Mas também existe a tortura pela esperança, como postulavam os jesuítas de setecentos e Edgar Poe refere num conto notável.
É preciso mudar o regime, melhor, mudar de regime. Em todo o caso bom ano, apesar de não acreditar muito nisso.

Anónimo disse...

Mudar de camisa, mudar de blusa
mudar de rua, mudar de posto,
só o poder esse e que nao muda
mudam-se as cores, mas sempre a seu gosto.

RUY VENTURA disse...

O problema do país não é de regime, mas de governo. O regime afirma-se democrático e a democracia não se muda, mas aprofunda-se. Os governos mudam-se. Como refere Popper, não devemos preocupar-nos muito com quem nos governa, mas com a maneira de demiti-los quando nos governam iniquamente.

Adelino disse...

Bela democracia esta.E os governos ainda que se afirmem(?)democráticos têm sido todos a mesma aldrabice, começando pelo agora presidente da república.
Como se pode aprofundar uma coisa que só existe na ilusão? E o resto é conversa.

RUY VENTURA disse...

Pode ser uma ilusão a democracia, mas mesmo assim é o pior dos sistemas de governo, tirando todos os outros. Não há alternativa à democracia. E se alguém diz o contrário ou é míope ou adepto de regimes tirânicos.

adelino disse...

Parece-me que se está a falar nesta democracia e não na Democracia.
A Democracia é óptima, mas democracias como a portuguesa são só treta.
Não há alternativa válida à Democracia,mas a esta "democracia" que lixa os cidadãos sem pudor claro que há. Não ver isso é que é miopia e grande.

eudóxio disse...

oh homem, com maiúscula ou sem maiúscula falamos sempre da adesão a um ideal de civilização. quando um regime não é completamente democrático (como o nosso) estamos apenas em presença de para-democracias.

Anónimo disse...

A democracia caíu ou está a cair numa dema(o)gogia. Esta queda ou transformação por degradação já foi anunciada com os velhos Gregos (que descobriram quase tudo...pelo menos em termos ético-políticos).
Aliás, só por bondade nossa cremos que a democracia - mesmo se é o melhor de entre os regimes, não sendo sem defeitos - é o "governo do povo". Em Portugal, o povo não se vê representado em deputados que representem um círculo de eleitores. Daí se segue que só como lisongeio sem fundamento podemos dizer que é o povo que governa, é o povo que... O povo, o verdadeiro quase que não sabe ler... vai atrás das personalidades dos líderes, não conhece os programas dos partidos.
Bela democracia a nossa que num tema que bem devia ser referendável pelo povo, como era o do casamento dos gays, o deixou arredado completamente disso.
Etc., etc. E mesmo assim quero viver em democracia se ela não me censura os ditos, os escritos e não me controla os pensamentos...

LÓXIAS, o obscuro