APRENDER A REZAR
NA ERA DA TÉCNICA
de Gonçalo M. Tavares

A palavra - e, no final, a luz. Desmaterializar uma luz mecânica e as imagens por ela produzidas para, na ausência da palavra (no silêncio), conseguir entregar - em tranquilidade - a última moeda.
Se a identidade (o corpo) é apenas palavra-expressão que a vontade humana violenta, manipula, modifica, apaga e/ou regista (tenta registar), apenas na sua cessação se acolhe a luz religadora que permite uma outra palavra, inaudível-transcendente pela ausência, a única que pode dar início à "aprendizagem da oração na Era da Técnica".
Ser verbal, Lenz Buchmann leva-nos a considerar o poder redentor da erosão: - a estátua marca presença em violência e movimento (como Álvaro de Campos), mas só na imobilidade e na abdicação-de-si-própria (Ricardo Reis) chega a existir.

2 comentários:

alice disse...

uma crítica pertinente. gostei de ler.

Anónimo disse...

também me agradou.