A RECUSA DE GAMBETTA


Gambetta (então primeiro-ministro francês) justificou assim a Renoir a sua recusa de um projecto de mural para o novo edifício da Câmara Municipal de Paris:
"Mais vale ver a República viver com a má pintura do que vê-la morrer com uma grande arte..."
O político afirmava amar a pintura de Pierre-Auguste, ou pelo menos reconhecia a sua eminência. Os seus (contra)valores eram no entanto outros. Talvez por isso caiu da cadeira pouco tempo depois. Ao contrário do que pensava, a verdadeira Arte vai permanecendo (mesmo quando ocultada), enquanto os regimes e os governos cedem facilmente à erosão do tempo.
E os Gambetta de hoje? Na sua maioria, nem reconhecem nem amam a Arte. Mesmo quando parecem fazê-lo, continuam a preferir pomposos pilritos (que fazem vista sem incomodar ninguém), ignorando o trabalho destes no esboroamento dos políticos e dos regimes que os promovem.



(Na imagem: "Le Moulin de La Galette", de Renoir.)

8 comentários:

Pixalho disse...

Por estas e por outras fuzilamos-te quando vier a revolução. Vais ver!

Pixalho disse...

Ou antes, enforcamos-te, que dói mais!

Engº Maozedalho do malho disse...

Há pessoas que vêm para aqui brincar em vez de fazerem uma crítica séria, como por exemplo dizer que Ventura é um inimigo da classe operária e da arte que todos entendem!
Viva a arte ao serviço do povo e da justa linha vermelha, abaixo o formalismo!

Rodovalho do reviralho disse...

Como se a gente não percebesse que o que queres é promover gente que é claramente contra o proletariado...

Conde de Ficalho disse...

Renoir? Pfff! É uma arte que não faz espectadores,não comunica, por vezes nem o próprio autor a percebe!
Ressalvamos no entanto o impressionista J.Malhoa de Magalhães, pois a um génio tudo se perdoa!

xauter do alho disse...

Este Renoir precisava de uns tempos na reforma agrária para deixar de ser um miserável abstracto!

Manuel Chupa-chupa disse...

Boa piada! Penso que o Ventura é mesmo um inimigo a abater. O cabrão chateia tanta gente que é preciso calá-lo.

CheChé disse...

Mandem-no cá para Kuba, que a gente trata dele. Passa só a ver o Cabrita Rocha e a ler o Joaquim Manual Sarabando.