Floriano Martins


CORPOS SAINDO DO FOGO


Ponho teu pé em meu seio e quando o retiras
o poente revela seu nome. Vibras em mim
com teu abraço e quando te afastas o sol se esvazia.
Um dia mordes meu queixo e despertas uma horda
de alucinadas mulheres que se confundem entre si.
O sol e o amor – urram – são flores carnívoras.
Amo o esplendor de teus tentáculos, a carnificina
de tua enfiada em meu ser, narrativa de curvas
em que te reproduzes para ampliar a fome.
Não sei que espécie de vagabundo viciado em totens
eu alimento – por vezes creio que és tua única
superstição –, porém me acaricias os despojos
de uma vida imaginária e não me perguntas nada.
Me enterras no inferno de tuas cidades em fuga.
(Pintura de Hélio Rola.)

2 comentários:

mário janeira disse...

Brasileiros para o Brasil, se nós cá temos o neoneonaturalistas para que precisamos de sul-americanos? Assim não vale é concorrencia desleal e apresentar poemas bons é um ataque que repudiamos à literatura light dos neos, carago.
Queremos é rasquice, temos direito a ela foda-xe.

a.mafra disse...

Boa piada!