O bom selvagem

Alertado pelo José do Carmo Francisco, encontrei o texto seguinte assinado por Francisco José Viegas. Concordando com ele na totalidade, é de elementar justiça partilhá-lo:

"Vai um grande protesto, pelo país fora, contra a violência sobre os professores. Justificadíssimo. Mas, como acontece ou tem acontecido em matéria de educação, isto já estava previsto. Durante anos, a «escola centrada no aluno» e os mestres das «ciências pedagógicas» transformaram criancinhas em monstros irresponsáveis, ignorantes e prepotentes. Houve, ao longo destes últimos vinte anos, centenas de casos de professores agredidos e impedidos de reagir. Quando uma reportagem televisiva mostrou – com imagens cruas – exemplos dessa violência exercida sobre professores pelos alunos do secundário, logo algumas boas consciências protestaram contra, imagine-se!, a captação dessas imagens; mas não contra a violência, contra «o estatuto do aluno» e outras alegrias do sistema escolar. [No ensino superior, a imagem também é alegre: portões fechados a cadeado (com aplauso do Magnífico Reitor de Coimbra, evidentemente), dirigentes associativos que defendem o direito ao «chumbo» porque «não há condições» para terminar o curso em «tempo normal», faculdades esventradas pelo abandono e cheias de lixo.]A escola «centrada no aluno» é uma festa para os sentidos, mas pouco edificante quer em matéria disciplinar quer em matéria científica ou pedagógica, com técnicos do Ministério da Educação que têm das escolas uma vaga ideia ou apenas uma «recordação teórica».Embora nada disso (nem a ideia dos «territórios socialmente problemáticos»), isoladamente, possa explicar uma média (oficial) de duas agressões por dia nas escolas portuguesas, é o sistema de protecção corporativa que está em causa. A escola quer ignorar palavras como «disciplina», «autoridade» e «recompensa». O aluno é o «bom selvagem». Está aí. Aguentem-no. "

(no blogue Origem das Espécies)

2 comentários:

Simão Botelho disse...

Muito bem. Também apoio na totalidade. O problema é que os escritores não têm poder de decisão. E quem o tem vai deixar que a palhaçada sinistra continue.
Assim sendo, só um terramoto, que atingisse só essa gente, poderia resolver o assunto.
Se o póprio Cavaco, agora com mais experiencia, já se deixou de rijezas... Em suma, emigremos. Ou tenhamos esperança que Castela tome depressa conta disto.

Nepomuceno Bruno disse...

Quero fazer uma observação, neste momento os professores que se sintam gravemente atingidos nos seus direitos ou sejam agredidos, por a ineficácia ou desleixo dos tribunais portugueses podem apresentar quexa junto a um magistrado espanhol, por exemplo na Ciudad Real, Badajoz, Cáceres, etcetera.
Seria bom que os portugueses cada vez mais recorressem a tribunais espanhóis, tal como fazem a hospitais, podem ter na certeza que ali serão bem atendidos.