ESTA VIDA DE PROFESSOR

Começou por ser um comentário a um dos meus posts, mas este texto de Joaquim Saial merece honras de primeira página, pela sua frontalidade e pelo seu desassombro. Aqui fica.

É evidente que a quase generalidade da trastaria governativa (capitaneada pela equipa 5 outubrense), alguns degenerados jornalistas (daqueles que sabem de tudo e falam de tudo, desde as mil maneiras como uma retrete se pode entupir até às possibilidades que uma formiga tem de iniciar uma guerra entre esquimós e pigmeus), o povoléu (não o verdadeiro povo, mas aquele que se baba nos reality-shows) e toda uma corja de frustrados e desocupados falam mal dos professores, também conhecidos como "aqueles gajos". Estamos neste pé e não há nada a fazer. Mas é que nem é preciso. Nós (os tais "aqueles gajos" de quem fala a D. Miquelina quando vai no autocarro da Rodoviária a conversar com o homem do talho que vai fazer a inscrição do filho na escola tal...), sabemos o quanto nos esmiframos para metermos nas cabecinhas dos portugueses a sabedoria que fomos recolhendo ao longo da nossa vida de estudantes e de professores já feitos, em investigações mil, custosas pelo desgaste mental e de bolso... Sabemos que somos sérios (tirando alguns exemplares raros que têm homólogos paralelos em todas as profissões). Sabemos que se não fazemos mais e melhor não é por falta de vontade mas sim pelos entraves que os tais políticos nos põem (nomeadamente aqueles que mais nos deviam ajudar)entraves de toda a ordem (toneladas de papéis para preencher, em burocracias paralizantes, turmas com 30 alunos, equipamentos e escolas obsoletos... etc., etc.). Digamos que há-de haver um dia em que os professores serão respeitados e verdadeiramente estimados, devido à sua função relevante na sociedade. É essa uma das nossas utopias. Até lá, o melhor que a gente tem a dizer (ainda que em pensamento), a Sousas Tavares, Manuéis Fernandes, Socráticos, Donas Miquelinas, homens do talho e quejandos, é: vão para o raio que os parta e deixem-nos trabalhar. E digam-me lá, ó professores que me lêem: vocês que sabem quem somos, acham-se piores do que esses simulacros de gente que nos bate? Claro que não! Coração ao alto, intelecto em riste, melhores dias virão.

JOAQUIM SAIAL

2 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
ribeirinholeal disse...

Parabéns, Joaquim Saial E Dr. Ruy Ventura pela frontalidade do texto. Realmente a classe docente é vilipendiada pelos detentores do poder que, ultimamente, entre outras aberrações, até se lembraram de aumentar a carga horária dos Professores.
Claro está que não é por este caminho que "as coisas" melhoram, bem pelo contrário. Professores constrangidos a desempenharem missões que às vezes nem sequer são as suas; Professores com colocações que geram instabilidade profissional e familiar; Professores mal pagos em relação aos seus pares da União Europeia; Professores que trabalham frequentemente sem terem nas escolas espaços físicos condignos ou minimamente aceitáveis; Professores que dão o seu melhor todos os dias e que, depois, são confrontados com a incomprensão de quem mais lhes deve... enfim, estes Professores são autênticos heróis a quem muito se pede e a quem pouco ou nada se reconhece; é uma vergonha!!!