O QUE ELES CRESCEM...

Tive hoje pela manhã uma daquelas surpresas que nos deixam quase com lágrimas nos olhos. Um ex-aluno meu, que há mais de sete anos não vejo e de quem não sabia absolutamente nada, escreveu-me, contando-me um pouco da sua vida e procurando saber da minha.
Estas e outras é que nos dão vontade de continuar a ser professores, apesar de levarmos bordoada todos os dias na comunicação social e na boca do povinho, apesar de estarmos sujeitos a determinações incompreensíveis de um Ministério da Educação que continua dominado por pessoas que nunca tiveram uma turma de jovens alunos pela frente.
O rapaz que me escreveu está agora a entrar para a universidade, exercendo em simultâneo uma actividade free-lancer de designer. Se quiserem dar uma vista de olhos na página dele, é só ligarem-se a:

http://pwp.netcabo.pt/nr_lourenco/

6 comentários:

Luís A.V. disse...

Já estive a ver e vale a pena. Comovente eu acho também a comoção de RV.
Como professor, compreendo e apoio.

Ruy Ventura disse...

Agradeço muito as suas palavras. Entretanto fico também muito grato por toda a divulgação que possa dar ao "Estrada do Alicerce".

sandra costa disse...

Compreendo perfeitamente a tua comoção, Ruy. Há coisa de dois anos, uma carta de um antigo aluno meu do 9.º ano reencontrou-me passado já não sei quantos anos... Já ele estava na faculdade, no 2.º ou 3.º ano... Foi também com lágrimas nos olhos que li as palavras dele - pelo que escrevia e por ter escrito. Felizmente, há estes tesouros que valem por toda a negatividade com que nos temos de confrontar.

Ruy Ventura disse...

É assim, Sandra... são estas coisas que nos obrigam a não desistir.
Entretanto espero que já estejas mais descansada das tuas lides académicas...
Abraço!

Joaquim Saial disse...

É evidente que a quase generalidade da trastaria governativa (capitaneada pela equipa 5 outubrense), alguns degenerados jornalistas (daqueles que sabem de tudo e falam de tudo, desde as mil maneiras como uma retrete se pode entupir até às possibilidades que uma formiga tem de iniciar uma guerra entre esquimós e pigmeus), o povoléu (não o verdadeiro povo, mas aquele que se baba nos reality-shows) e toda uma corja de frustrados e desocupados falam mal dos professores, também conhecidos como "aqueles gajos".
Estamos neste pé e não há nada a fazer. Mas é que nem é preciso. Nós (os tais "aqueles gajos" de quem fala a D. Miquelina quando vai no autocarro da Rodoviária a conversar com o homem do talho que vai fazer a inscrição do filho na escola tal...), sabemos o quanto nos esmiframos para metermos nas cabecinhas dos portugueses a sabedoria que fomos recolhendo ao longo da nossa vida de estudantes e de professores já feitos, em investigações mil, custosas pelo desgaste mental e de bolso... Sabemos que somos sérios (tirando alguns exemplares raros que têm homólogos paralelos em todas as profissões).
Sabemos que se não fazemos mais e melhor não é por falta de vontade mas sim pelos entraves que os tais políticos nos põem (nomeadamente aqueles que mais nos deviam ajudar)entraves de toda a ordem (toneladas de papéis para preencher, em burocracias paralizantes, turmas com 30 alunos, equipamentos e escolas obsoletos... etc., etc.).
Digamos que há-de haver um dia em que os professores serão respeitados e verdadeiramente estimados, devido à sua função relevante na sociedade. É essa uma das nossas utopias. Até lá, o melhor que a gente tem a dizer (ainda que em pensamento), a Sousas Tavares, Manuéis Fernandes, Socráticos, Donas Miquelinas, homens do talho e quejandos, é: vão para o raio que os parta e deixem-nos trabalhar.
E digam-me lá, ó professores que me lêem: vocês que sabem quem somos, acham-se piores do que esses simulacros de gente que nos bate? Claro que não! Coração ao alto, intelecto em riste, melhores dias virão.

Anónimo disse...

Ah grande Joaquim Saial! É assim mesmo...