Saramago...

Foi difundido pela comunicação social que Gonçalo M.Tavares recebeu o prémio de novela e romance José Saramago.
O mesmo galardão fora atribuído em anteriores edições ao alentejano José Luís Peixoto e à carioca Adriana Lisboa.
Antevejo que, daqui a uma suficiente quantidade de anos, a atender ao valor que se reconhece publicamente aos premiados, continuarão a crescer em importância enquanto o que dá nome ao prémio se apagará pouco a pouco. A nosso ver ele é um mito bem promovido por diversas instâncias - mas de facto, como disse um escritor, esse sim de génio, o nobel Czseslav Milosz, "um escritor de segunda ordem", que deve quase tudo ao partidão e à "nova diplomacia", não a um valor de excepção. Cremos que este é secundário como o de muitos nobeis já passados ao esquecimento. O que de facto não se esquecerá é o espírito persecutório que Saramago incarnou enquanto esteve a mandar no "Diário de Notícias". A memória dos artistas e da gente lúcida do meio não é curta.
Esses actos infelizmente mancharam o seu percurso e não sairão da recordação de qualquer pessoa com exigências éticas.
Cremos que a História irá ser dura para Saramago.
Nicolau Saião (texto e imagem)

2 comentários:

joaquim saial disse...

Acontece que o maior problema que a personalidade saramaguial põe à nossa inteligência não é essa coisa de somenos importância, quase um nada, de ter perseguido gente no "Diário de Notícias". Bah, grande coisa! E que falta de originalidade! Quantos não perseguiram e ainda perseguem pessoas?...
E a tragédia da falta de vírgulas? Bolas, chateia, mas não vai grande mal ao mundo por isso. É da maneira que o sono vem mais pausadamente, sem os solavancos provocados pelos virgulais obstáculos que outros escribas colocam no caminho de quem deseja fazer uma soneca após leitura nocturna.
E o pedantismo paternalista de "toma lá uma sentença que eu tenho estatuto para isso?" também é coisa que nos entra por um ouvido e sai pelo outro. Quem liga a isso? Quem liga, digam-me lá?
Agora, chato, chato mesmo (diria, até, criminoso), é o homem ter posto ao cão o nome de "Camões". Camões, gaita? Logo Camões, o vate? Camões, o pobre zarolho, náufrago, morto morrido de fome mas com dia de comemorações oficiais, sofrer essa afronta pós-tumular e "nobélistica"? Isso sim, era merecedor de fuzilamento sumário em plenas dunas de Lanzarote, por pelotão da Legião Estrangeira, tambores a rufar e Leão da Metro a rugir em fundo, Pilar a carpir "José no te vás, cariño".
Enfim, morra o Sara, morra, pim!

ns disse...

Eheh, Joaquim Saial! Boa malha.
Também muito de encantar foi a frase com que o nobelizado escritor atirou ao tapete o sátrapa das Antilhas: "Até aqui cheguei!", quando este aqui há tempos mandou fuzilar diversos opositores na sua "democrática" ilha. Assim como foi uma delícia o ter, passado o período de nojo (digamos assim com ironia), voltado recentemente para o regaço ideológico e companheiral do grande orador - chega a discursar durante 5 horas e meia...
A realpolitik, mesmo nas letras, tem destas nuances...maviosas.