DE ESFREGÕES A LIXO

Segundo noticiou o Diário de Notícias de ontem, o Ministério da Educação apresentou na sexta-feira o seu projecto de avaliação do desempenho dos professores.
Defendo, como princípio, essa avaliação, desde que seja levada a efeito por sujeitos competentes e com base em critérios mensuráveis. Como o Ministério determina, não. Os professores passam a ser obrigado a lamber as botas ao facilitismo paternal (quando exista) e a compactuar com os jogos de poder que caracterizam muitas das nossas escolas. É lamentável!
Se os professores já tinha o estatuto de esfregões sociais, com o novo regime de avaliação do desempenho (se for aprovado como está) passarão à categoria de lixo social.
Há questões que se impõem nesta vergonha proposta. Voltarei ao assunto.

3 comentários:

Teresa Lopes disse...

Queres dar uma espreitadela no Aragem? Anda por lá um aceso corre-corre.

Me Myself & I disse...

Vou aqui deixar o meu comentário ao mesmo tema, mas noutro blog.

Eu sou o primeiro crítico de todas as iniciativas, públicas ou privadas. Contudo, tento sempre sê-lo de forma construtiva, tal como tu, estou certo. Daí que acredite que por trás dessa tua ironia mordaz, exista uma parte que é obrigada a concordar que nós (professores) escavamos o buraco onde lentamente nos vamos afundando - esqueçamos aqui os médicos, os advogados e juízes e etc. Podre é o sistema e o deles não é melhor! Mas agora, foquemo-nos nos professores.

Quem construiu esta imagem que a sociedade tem de nós?

Quem usou e abusou das faltas ao abrigo do artº 102 (não vale a desculpa da desinteria súbita porque os trabalhadores de uma qualquer empresa também tê diarreias e não têm artigos 102º para justificar essa desgraça) dos atestados, das formações, etc?

Eu aceito (repara que não disse "concordo") com muitas das medidas porque considero que as mesmas são necessárias.

O nosso "canteiro" português vive com medo dos restantes "canteiros" do "quintal" europeu. Somos mesquinhos e iletrados (foi uma boa evolução - antes eramos analfabetos).

No meio de tudo isto temos pavor a ser avaliados porque receamos as "cunhas", as famigeradas "cunhas". Porquê?! Se oiço constantemente "Eu conheço, fulano que conhece beltrano e que me vai orientar"; ou seja, nós próprios aceitamos como natural este estado de coisas.

Contudo, a política "é má", é "perversa", os políticos são "feios, porcos e maus", corruptos - nem por isso nós nos voluntariamos para conseguir fazer uma melhor política. Sim, pois, porque não sejamos hipócritas ao ponto de esquecer, que, por muitos defeitos que a classe política tenha, uma grande parte dela abdicou de valores que todos consideramos fundamentais (como a familia e o lazer) para seguir aquela carreira. Daí que todos falem mal, mas poucos consigam dispôr do seu tempo para fazer algo melhor.

Um abraço
Miguel

Ruy Ventura disse...

amigo

o problema do projecto do ministério é que não vai moralizar nada, pois lido com o devido cuidado deixa perceber que só irá fomentar o tráfico de influências nas escolas e cortar de vez com a liberdade de expressão dos professores.
fora isto, como afirmou a Teresa Lopes no blogue dela, trata-se apenas de uma tentativa de o ministério lavar as mãos das suas culpas em relação ao insucesso do sistema de ensino, lançando todas as culpas sobre nós. mas no fundo o objectivo é apenas um: fazer-nos rastejar, diminuindo o déficit das contas públicas à conta dos mais fracos.