DIAS DO FUTEBOL

Aproximamo-nos a passos largos do pior da América Latina, continente que agrega países amordaçados por políticos incompetentes e, tantas vezes, traficantes de influências e corruptos, cuja população procura no futebol (e no Carnaval, etc.) as suas únicas alegrias colectivas.
Para nos compararmos com eles falta-nos no entanto a parte positiva, feita de confiança no futuro, que consolida a alegria e a esperança. Como afirma Torga, somos um povo demasiado velho e estas explosões afirmativas só aos jovens são permitidas.

5 comentários:

Luis Eme disse...

Eu tenho muitas dúvidas se o fenómeno futebolístico pertence apenas à América Latina. A história diz-me que tem sido muito mais usado como bandeira política na Europa que em qualquer outra parte do mundo. Se olharmos para a forma como ele é - e sempre foi - encarado na Alemanha, estamos conversados, e nem precisamos de ir à antiga União Soviética.
Claro que nos países latinos, o futebol é uma das poucas actividades genuinamente populares, ao alcance de todos, pelo menos enquanto desporto. Essa razão é mais que suficiente para a sua popularidade. mas atenção, a exploração capitalista partiu, e parte, do velho continente.

Ruy Ventura disse...

Concordo consigo. Mas o sentido do meu post vai noutra direcção: procura olhar para o entusiasmo colectivo latino-americano relacionado com o futebol, que é uma maneira de operar a catarse do ambiente sócio-político em que se inserem. Parece-me que Portugal está a caminhar neste sentido, com a desvantagem de já nos faltar a esperança que ainda existe na América do Sul e Central.

vitor lúcio disse...

Se me dão licença, o futebol é um bom meio para qualquer ignorante se tornar especialista com análises banais, dizendo isto e o seu contrário em curtos minutos.
Aos 17 anos (já lá vão 35...)estando no Estádio da Luz assistindo a um Benfica-Ajax para a Taça dos Campeões, soube que o jogo estava a ser transmitido pela RTP... esperei pelo intervalo e saí, fui até casa (morava na rua Cláudio Nunes) e deliciei-me com o jogo na TV.
Outra vez, há meia dúzia de anos, levei o meu filho, criança ainda, ao futebol e ele levou a sua bandeira nacional (era um jogo dos sub-21) e sabem o que aconteceu? o polícia impediu a entrada do miúdo com a bandeira porque o pauzinho que segurava a bandeira era perigoso. Conclusão: voltamos para trás alegres, sem futebol, mas com a nossa bandeira.
Ah, a propósito, também sou um desses milhares de portugueses com curso de treinadores e licenciado em educação física (podiam pensar que não gosto de futebol... rs)
Isto tudo a propósito do futebol maníaco-depressivo da américa latina (ah, aqui na europa não, só do outro lado...)

vitor lúcio disse...

Como diz o meu amigo e professor Manuel Sérgio, o futebol "reproduz e amplia as taras sociais".
E uma pergunta... os que não gostam de futebol terão de ser puramente exterminados? parece-me...
E outra pergunta... já percorreram os jornais desportivos e olharam os cronistas (e as crónicas, claro)? tudo gente que saiu de boas escolas e bons cursos, (até o Professor Marcelo sabe da poda) onde era proibido falar de futebol, se queríamos ir lanchar a casa da miúda mais gira da turma?
Sabem que deixei de ir ao futebol e deixei de ensinar futebol na escola onde lecciono, porque os palavrões do mais baixo e ordinário calão desbragado eram o pão nosso de cada dia? e se quero ver um joguinho na tv com a famíia, tenho de desligar o som?

zé da marizé disse...

Não há dúvida, todos têm razão porque concordam no mais importante e é que o espectáculo futebolístico, não o futebol pois é um desporto bem bonito, hoje serve para distrair consciencias e agregar novos primários. Quem não é do Benfica não é bom chefe de família dizia-se dantes e hoje isso aplica-se a quem não é "maluco" da selecção.
As figuras gradas falam de papo na bola porque é o que está a dar e como não têm caracter fazem a fita de que são todos pessoas muito simples.
Eu gosto de bola, mas não de espectáculo futebolístico e muito menos da sujeira que anda em volta do circo do futebol. Isto é um lugar comum, mas às vezes já é perigoso dizê-lo.