JOSÉ DO CARMO FRANCISCO

O falso franciscano
Luandino Vieira

O prémio «Camões» de 2005 até estava bem entregue mas o premiado, este ano o escritor Luandino Vieira, borrou a pintura. Desde logo não comentou a atribuição do prémio para a Comunicação Social. Isto em primeiro lugar. Em segundo lugar recusou-se a cumprimentar o seu editor que se deslocou expressamente de Lisboa a Vila Nova da Cerveira para o abraçar. Mas o pior estava para vir. Recusou o prémio com o argumento de que é franciscano. Ora bolas! Um verdadeiro franciscano, se é mesmo franciscano, nunca perde uma oportunidade para o provar. Fazendo o bem. Este homem que é natural de Vila Nova de Ourém mas é de facto angolano por adopção, finge esquecer que há em Angola milhares de crianças que precisam de ajuda: comida, livros, medicamentos, roupas, tudo. Bastaria Luandino Vieira receber o prémio Camões e dar de imediato uma indicação sua para o valor do prémio ser entregue à UNICEF. Tão simples como isto. Este sim seria um gesto de franciscano mas de um franciscano de verdade. Reclamar ser franciscano é uma coisa; ser franciscano é outra coisa. Bem diferente e bem melhor.
Esta situação vem uma vez mais chamar a atenção para a grande diferença que existe entre os escritores e as pessoas dos escritores. Para quem, como eu, já circula há muitos anos nesta área da comunicação a que em 1978, quando eu comecei, se chamava nos jornais simplesmente «artes e espectáculos», esta dualidade não é uma surpresa. Há pessoas que enquanto autores são muito agradáveis de ler mas enquanto pessoas são simplesmente insuportáveis. Como este falso franciscano, Luandino Vieira de seu nome, natural de Vila Nova de Ourém e angolano por adopção.

3 comentários:

a.candeias disse...

Cá por mim este Luandino é mas é pretensioso e parvo. Os ex-marxianos são como os padres despadrados e está tudo dito.

Luís Graça disse...

Não conheço o Luandino Vieira, pelo que não posso fazer juízos de valor.
Mas a sugestão do José do Carmo Francisco (receber o prémio e doá-lo a uma causa humanitária) tem toda a lógica.
É bem verdade que o escritor pode ser uma coisa e a pessoa outra, totalmente diferente.

Luis Eme disse...

Não sou tão cáustico como o Zé do Carmo Francisco. Compreendo e respeito a opção de Luandino Vieira pelo seu "retiro franciscano" . Claro que em vez de recusar o prémio, seria uma acção mais simpática e bonita, recebê-lo, doando-o às várias instituições que ajudam as crianças abandonadas pela familía e pelo próprio país onde viveu. Talvez Luandino esteja farto de ser simpático...
Convido o Zé do Carmo e amigos a visitarem o blogue almadense: casariodoginjal.blogspot.com