JOSÉ DO CARMO FRANCISCO
(no 55º aniversário de Manuel Fernandes)


Há vinte anos
foi Manuel Fernandes o excluído

Há vinte anos (1986) era o campeonato do mundo de futebol no México. E Manuel Fernandes foi excluído da selecção portuguesa de futebol depois de ter sido o vencedor do troféu «Bola de Prata» que distingue o melhor marcador do campeonato nacional. E não foi excluído da equipa; foi ignorado pela convocatória do seleccionador nacional. Que por acaso era um ex-jogador benfiquista. Que por acaso em 1966, vinte anos antes, no campeonato do mundo em Inglaterra, jogou sempre, mesmo lesionado, protegido por um seleccionador benfiquista. Tão benfiquista que se chamava Manuel da Luz.
Na altura não houve grande alarido porque Manuel Fernandes era jogador do Sporting Clube de Portugal e, enfim, o seleccionador era soberano nas suas decisões mesmo se excluía o melhor marcador do campeonato português. E o melhor marcador não se discute porque os golos não são metafísicos; são verdade. Não há neles matéria subjectiva. Em 1986 só meia dúzia de pessoas se referiu ao assunto e como era um jogador do Sporting não valia a pena.
Agora é um vê se te avias – desde o inefável presidente do seu actual clube até aos jornalistas que escrevem com a camisola, aos comentadores que estão na moda e sem esquecer as próprias anedotas que se publicam nos três jornais desportivos diários. Todos se revoltam contra a exclusão do Quaresma.
O que se disse de Manuel Fernandes em 1986 parece que não serve para Quaresma em 2006. Se o seleccionador é soberano então não vale a pena discutir as suas escolhas. Mas o problema é que há sempre dois pesos e duas medidas. E ser do Sporting tem muitas desvantagens. Já em 1966 tinha acontecido o mesmo com Lourenço e Figueiredo, preteridos em favor de José Torres que jogava com injecções de anti-inflamatórios.

6 comentários:

José Ferreira Marques disse...

Mas o Manel vingou-se: pouco tempo depois marcou 4 golos no célebre Sporting 7 - Benfica 1.

António Cagica Rapaz disse...

O Manuel Fernandes começou no futebol a sério na CUF,no final dos anos 60. Fomos companheiros e ficámos amigos.
Dito isto, discordo da avaliação que tem por base o número de golos marcados. O Arsénio também ganhou a Bola de Prata e ninguém o chamou à selecção.
O valor de um jogador não se mede SÓ pelos golos que marca, e o Manel tinha outros méritos para além desse.
A questão é saber se, naquele momento, com aqueles colegas, ele seria a melhor escolha.
Não sei, não vivia em Portugal nessa altura, não posso pronunciar-me.
Contudo, é um pouco cruel (haja ou não fundamento) criticar desta maneira José Torres, por tudo e porque está a viver um período negro da sua vida, com Alzeimer e GRANDES dificuldades financeiras.
Nem a Federação, nem o Benfica, nem os antigos colegas se lembram dele.
Pode-se ser sportinguista, pode-se gostar muito do Manel, mas talvez não fosse preciso atingir tanto o Zé Torres...

jose do carmo francisco disse...

Fui eu que numa entrevista publicada em O MIRANTE chamei a atenção para a situação do Zé Torres cujos descontos na Segurança Social remontam ao tempo em que ele aprendiz de serralehrio nos Claras. Todos os clubes onde ele jogou se esqueceram de entregar os descontos! Não considero que seja cruel recordar hoje, a propósito do barulho feito à volta do Quaresma, o pouco barulho que em 1986 foi feito à volta da exclusão do Manel Fernandes. Eu não podia deixar de escrever o que escrevi porque tudo aquilo é verdade. Cruel tem sido a relação entre os jogadores do Sporting e a Comunicação Social. Já em 1966 os avançados do Sporting estavam em óptima forma, foram campeões mas nunca foram opção para o seleccionador Manuel da Luz. O Zé Torres jogava injectado; o Figueiredo e o Lourenço ficavam a ver. Isto é que é crueldade; eu limitei-me a recordar factos. E sempre sem rancor. Sempre.

António Cagica Rapaz disse...

A crueldade não estará tanto nas palavras como na oportunidade que não é, obviamente, a melhor.
Sobretudo para quem conhece a situação do Torres.
Talvez ele tenha jogado graças a infiltrações, não sei. Mas sei que foi um verdadeiro gigante em Inglaterra.
Melhor não fariam o Lourenço nem o Manel Duarte, na minha opinião.
Injectado jogou o Eusébio inúmeras vezes, martirizado por força dos $uperiore$ intere$$e$ do Benfica.
Os critérios dos seleccionadores são sempre discutíveis, mas penso que teria sido possível elogiar o Manuel Fernandes sem ferir quem já está tão mal.
Não havia necessidade...

vitor lúcio disse...

Pois, amigo José do Carmo, permita-me discordar... em 66, eu vi o Carvalho, Morais, Alexandre Batista, José Carlos, Hilário e só não vi o Fernando Mendes titular também porque se lesionou na Checoslováquia e... o meu amigo não quereria ver toda a equipa do Sporting a jogar, pois não? A defesa do Sporting e o ataque do Benfica formaram uma das melhores selecções de Portugal, desde sempre, acho eu, não sei...
e o José Torres vive com grandes dificuldades e merecia um pouco mais de apoio do Estado, quanto mais não fosse, pelas alegrias que nos deu e que a minha geração agradece.

Eduardo disse...

Julgo que existe razão de ambas as partes, foi injusto excluir o melhor marcador do campeonato portugues (M. Fernandes) e é tremendamente injusta a situação em que se encontra o nosso Bom Gigante, mas aqui deveria caber ao grande Benfica a resolução do problema, pois hoje o Benfica tem ao seu serviço, jogadores que ganham mais num mês, do que o Jose Torres Ganhou na sua vida ao serviço do Benfica, não seria dificil uma pequena ajuda ao Bom Gigante, mas parece-me que neste caso, a aguia anda a VOAR MUITO BAIXO e com pouca VISÃO.

Eduardo Ribeiro