MIGUEL E OS PROFESSORES

Miguel tem idade para ser um adulto responsável. Gosta contudo de se pôr em bicos de pés na sua quinta para dizer mal de tudo e de todos, especialmente dos professores. O que ele gosta de sová-los! Em efígie, claro... A coragem não dá para mais. Num dia murros, noutro pontapés, noutro carolos, noutro joelhadas - nalguns chega a lançar-lhes escarretas à cara, que laboriosamente constrói dentro da boca.
Ninguém percebia, até ontem, os motivos da aversão. Até que houve um senhor com bons dotes de observação e memória de arquivo que contou:
"Ai não sabem? Uma filha do Miguel foi colega de liceu da minha filha mais velha. A catraia era o diabo em figura de gente, muito problemática... O progenitor era frequentemente chamada à escola, mas nunca o Miguel se dignou aparecer por lá (saiba-se lá porquê), apesar da insistência da directora de turma e da direcção da escola."
Agora se compreende por que tanto detesta os professores. Lembram-lhe a sua incompetência enquanto encarregado de educação.
Se o encontrasse na rua, dir-lhe-ia: "Caro Miguel, vossa insolência tenha cuidado: quem tem telhados de vidros não pode atirar pedradas..."
Quem será este Miguel? Há quem diga que reúne os piores defeitos do pai com os piores defeitos da mãe...

9 comentários:

vitor lúcio disse...

o pai chegou a ser conhecido pelo "cara de cavalo", mas da mãe... eu sempre gostei. Sophia foi para mim uma referência de tranquilidade e... sempre gostei dela.
o miguel, embora não aprecie algumas das suas opiniões, dá-me sempre a sensação de que não tem "rabos de palha" e expressa as suas opiniões sem medo. Posso não gostar de algumas (eu sou professor...), mas não vou mandar o homem para a fogueira, não.

Luis Eme disse...

Não me agrada nada a forma como este texto está escrito. Era mais honesto usar o nome Miguel Sousa Tavares para identificar o tal "Miguel". Não me identifico com estes golpes baixos, quase que diria à Scolari, que também não é capaz de criticar os jornalistas e os comentaristas que não falam como ele queria, nos olhos, inventando uma série de adjectivos pejorativos para classificar pessoas não identificadas pelo nome, mas sim por "pistas". Penso que ainda vivemos num país democrático, onde todos temos direito à nossa opinião, por muito diferente que possa ser do pretenso "senso comum".

Ruy Ventura disse...

O nome da personagem não está identificado porque, infelizmente, corresponde a várias figuras reais e não apenas a uma só. Infelizmente existem muitos e muitas "opinion makers" que se atiram aos seus semelhantes quando, na realidade, têm telhados de vidro. A personagem chama-se Miguel mas poderia chamar-se Pedro, Filipe, António...
Já dei provas suficientes aqui e noutros lados que, quando quero criticar abertamente uma pessoa, o faço directamente, identificando-a sem dúvidas. O texto aqui presente, pelo contrário visa criticar uma certa postura - na imprensa e na sociedade - de pessoas que não cumprem os seus deveres paternais mas exigem que os professores os substituam, difamando-os inclusivamente.

Luis Eme disse...

Aceito as suas explicações, embora considere que aquela parte em que se refere à filha do "Miguel" está demasiado pessoalizada.
Claro que é sempre mais fácil criticar que fazer o que quer que seja... mas sem a critica, o mundo não passava de um espaço de "pastagem" do respectivo rebanho de carneiros. Foi quase assim durante 48 longos anos.

zé da marizé disse...

A crítica é necessária e ainda se vive num país democrático? Concordo quanto ao primeiro postulado. Contudo, é importante referir: certos indivíduos, entre os quais se conta o senhor Miguel, estabelecem um clima de intimidação. Se alguém tenta responder-lhes não pode, não dispõe das confortáveis tribunas em que os outros se exibem como reis. Eles têm estatuto para ser democratas à vontade e falarem de alto. Os outros apenas podem ouvir a arrogancia deles e, movidos pelo algum receio que eles criam aproveitando-se do seu poder e das suas cumplicidades, escrever uns textinhos em pequenos blogs.
Falemos então a sério, sem máscaras:quem manda pessoas para a fogueira, utilizando por vezes a demagogia e as frases roçando a difamação, são os senhores miguéis e os que, com bajulação, lhes fazem o jogo. Não são os pobres blogs como este que ultimamente tenho visitado, onde se nota a boa intenção de clarificar. Quem me parece ser desonesto não é o indivíduo, que não conheço, que sustenta este blog, mas os que como os senhores miguéis criam um ambiente de falta de à-vontade e de medo que cria o ambiente para que não se fale sem ser por alusões. Enquanto eles falam de facto sem medo - com o músculo que lhe é dado por se saberem intocáveis. Se é esta a ausencia de rabos de palha que vitor lúcio ama e venera, estamos conversados.
E falemos ainda mais a sério e sem mesmo nenhuma máscara: não, Portugal já não é de facto uma democracia como luís milheiro diz: é o país onde um articulista, como sucedeu recentemente, pode referir impressamente que as professoras são em potencia todas umas putas e que mais lhes valeria andarem a fornicar com os colegas do que a criticarem os ministros. É o país onde não se manda um senhor miguel para a fogueira, mas pode tentar-se que os professores para lá vão.
Finalmente, é o país onde l. milheiro classifica de golpe baixo o texto do sustentador deste diminuto blog, mas não tem uma palavra semelhantemente violenta e cruel para verberar as inúmeras e violentas diatribes, tão injustas como inadequadas, dos senhores miguéis em exercício de cátedra.
A honestidade não está em falar de galarim por se terem as costas quentes. Essa é a honestidade dos que batem nos pequenos porque não têm nem coragem nem estatura mental para corrigir as vedetas.

Luis Eme disse...

Concordo com praticamente tudo o que o senhor Zé diz. No entanto, democracia não é o vale tudo. De certeza que a insinuação, a ofensa, o boato, e tantas outras formas cobardes de falar ou escrever, não se inserem no contexto democrático. Pelo menos do meu...

zé da marizé disse...

Peço desculpa se só agora respondo, mas o meu trabalho e creio que também anda na mesma barca, não me permite vir aqui com mais frequencia.
Concordo que o vale tudo é de repudiar. Mas, em inúmeras ocasiões têm sido precisamente os senhores miguéis que utilizam esses métodos, a saber: insinuações difamatórias, ofensas e injúrias, alegações que o tempo tem desmentido.
Foi isto que eu tornei mais saliente.
Esses senhores, repito, agem "sem medo" não por coragem mas porque têm como se diz as costas quentes.
E por vezes com uma total leviandade.
Quanto a democracia, todos sabemos, embora por pudor ou por falta de coragem, isso sim,não o digamos a não ser em conversas de café,que Portugal não é uma democracia e sim um lugar de golpes onde os poderosos e os que os servem - os tais que chamam madraços aos professores e putas às professoras - se vão repimpando.
Por outras palavras, reais, uma democracia formal mas uma "república" na asserção de Neno Vasco.
Onde os cobardes são os tais senhores que nos prejudicam sem pudor.

m disse...

Subscrevo o Zé da Marizé. Acrescento o Miguel Sousa Tavares como muitos outros comentadores (são sempre os mesmos nas diversas televiões)diz que o que mt bem lhe apetece e é muito bem pago por isso. Noto que gosta muito de criticar quem trabalha, não lhe tenho visto tanto entusiamo a criticar "cancros" sociais e a ter palavras violentas para o facto escandaloso de muitos Portugueses se "matarem" a trabalhar para ao fim do mês receberem o ordenado mínimo nacional.O referido comentador não imagina como uma família sobrevive com menos de 300 euros mensais.
Miguel Sousa Tavares em 10 minutos a comentar semanalmente recebe muitos muitos e muitos salários mínimos.
Fica bem às televisões terem um "enfant terrible" assim mostram ao povinho que são verdadeiramente democraticas.

Leonor disse...

Nem mais, M.! É isso. São enfants terribles que só se metem com pessoas sem poder de reacção ou então com pessoas que estão em desgraça. São dos que batem nos leões quando estes estão moribundos. E alinham no jet set nacional, eu tenho-os visto nas revistas cor de rosa, uma colega minha compra e eu às vezes miro para saber o que há, por cultura geral percebem?
É como o H.José, que faz pouco dos portugueses com garrafão mas convidava ministros para os programas.