UM PESSOA CORTADO AO MEIO

Comprei a antologia da poesia de Fernando Pessoa que hoje saiu com a Visão, apesar de já ter toda a obra do poeta na edição da Assírio & Alvim. Organizada por Eduardo Lourenço, veio confirmar uma suposição que há muito venho fermentando: há quem não goste da poesia de Pessoa escrita em inglês, apesar de já estar à nossa disposição em boas edições, apresentada em traduções exemplares. Porquê? Não sei... Suspeito, mas não tenho certezas.
Há no entanto um convicção de que não abdico: organizar uma antologia de Pessoa esquecendo os belíssimos poemas que escreveu na língua de Shakespeare é apresentar um meio-Pessoa ao público, um Pessoa amputado de uma parte fundamental da sua obra.

3 comentários:

bota disse...

as escolhas pessoais têm dessas coisas

Rui Lage disse...

Não deixas de ter alguma razão, Ruy, embora eu ache os textos de Pessoa em inglês bastante inferiores aos escritos na nossa língua. Deviam-se, de facto, ter reservado algumas páginas para os poemas em inglês, quanto mais não fosse para dar conhecimento aos leigos dessa faceta - dessa outra máscara - pessoana. Mas tal modelo daria mais trabalho ao antologiador...
Abraço,
Rui.

Ruy Ventura disse...

O grande problema para mim é este: bons ou maus os poemas em inglês do Fernando Pessoa existem. Acontece que têm sido sempre rasurados em quase todas as antologias que têm sido publicadas.
Nesta do Eduardo Lourenço (razoável nas escolhas da poesia escrita em língua portuguesa) nem sequer surgem qualquer referência ao facto do Poeta tem escrito muita coisa em inglês... o que é, de facto, cortá-lo ao meio e revelar só meia peça do corpo poético.
Quanto à qualidade, acho sobretudo que não devemos endeusar Pessoa, que, como toda a gente, escreveu poemas geniais e outros com menor génio.