NO CENTENÁRIO DE AGOSTINHO

No passado fim-de-semana realizou-se com sucesso e assinalável assistência o colóquio "Agostinho da Silva e o Espírito Universal". O evento, integrado nas comemorações do centenário do nascimento do filósofo e poeta de Barca de Alva, teve lugar na Biblioteca Municipal de Sesimbra e contou com comunicações de Paulo Borges, Luís Paixão, Joaquim Domingues, Manuel Patrício, Nicolau Saião, António Cândido Franco, Pedro Sinde, Jorge Preto, António Telmo e do coordenador deste blogue.
Em homenagem, simples, ao autor de Herta, Teresinha e Joan deixo aos leitores algumas das suas quadras, verdadeiros aforismos de intensa sabedoria.


Se estas quadrinhas não prestam
com certeza as compus eu
mas se boas foi poeta
além de mim que mas deu.

Acordo e sai um poema
alguém mo sonhou de noite
só preciso não ser nada
para que a musa se afoite.

Em mim tenho o mundo inteiro
e mais que tudo as estrelas
é procurá-las no céu
o que me impede de vê-las.

É só bem dentro de nós
que o projecto se anuncia
se retoma se reforma
e se solta à luz do dia.

Se não sabes o caminho
e a sorte nenhum prefere
toma então pelo mais duro
é esse o que Deus te quere.

Acho que Deus não escreve
e também que Deus não fala
e que nos sustenta vivos
a vida que nele cala.

Dizendo que é só amor
fazes Deus menor que Deus
cercas o ilimitado
dos limites que são teus.

Ó bela cavalaria
cavalo bem arreado
para o Ser galope largo
para o Ter freio apertado.

Se lançaste a tua rota
à constelação do ser
cuidado com o teu corpo
porta aberta para o ter.

Quanto morre o que viveu
nada se desequilibra
força emana cá e lá
Deus a si próprio transmigra.

1 comentário:

jcfrancisco disse...

um outro grande poeta (Luís Veiga Leitão) era mestre de simplicidade. por isso escreveu: só há profundidade / se houver superfície
Porque é a simplicidade que tem mais peso. Não perceber isto é não perceber o essencial.