LI E CONCORDEI COM...

ANTÓNIO CÂNDIDO FRANCO


“[...] Substituímos a beleza pela velocidade e em vez de deixarmos ao futuro uma Acrópole de mármore ou uma Catedral em pedra deixamos um shopping de betão e asfalto. Passámos a viver num mundo cada vez mais veloz mas também cada vez mais horroroso. Horroroso e doente, que o horror é o rosto da doença e da morte. Por isso, um dia, vamos apenas ficar na mão com a caveira chupada da Terra. Quem não vê no desaparecimento das espécies e no esgotamento das matérias-primas as escoriações cadavéricas do rosto da Terra? Estamos neste momento a devorar a polpa da Terra, que a acção de comer na era da velocidade espacial é devorar. E vamos assim deixar aos nossos netos o caroço, que eles vão roer desesperados, lastimando o egoísmo brutal dos nossos políticos e economistas de hoje. Que é o betão senão o caroço sem semente da Terra, o osso esburgado e seco que vai partir os dentes dos nossos descendentes? [...]”

(in Viagem a Pascoaes, Ésquilo, 2006)

1 comentário:

jcfrancisco disse...

além disso deixámos de andar de comboio colectivo para andar de automóvel privado mas ainda vamos voltar a andar de carroça como em Cuba quando faltar o petróleo. além disso deixámos de ir aos cinemas onde além de filmes víamos as pessoas para alugarmos filmes no nosso apartamento fechado. vivíamos em casas e vivemos em apartamentos quer dizer apartados dos outros. é uma doença da civilização, mais uma.